
Sandro Ricci (direita) recebendo o prêmio de melhor árbitro de 2011 ao lado de Carlos Simon e Paulo César Oliveira (esq).
O árbitro Sandro Meira Ricci, do Distrito Federal, apontado como uma das grandes revelações da arbitragem nacional nos últimos tempos, foi eleito o melhor árbitro brasileiro da temporada 2010 e, consequência disto, alcançou o almejado posto de árbitro internacional do quadro da FIFA, privilégio de apenas 10 árbitros no país.
Mineiro, 36 anos, nascido em Poços de Caldas, atua como servidor público federal da carreira de analista de comércio exterior em Brasilia. Ricci é casado e pai da pequena Isabella. O casal, com alegria, espera a chegada de mais um bebê, a Manoella.
Despontado como um dos principais nomes da atualidade no país, Sandro mosta todo seu profissionalismo, empenho e dedicação na carreira de árbitro, provando que tem um futuro brilhante e possibilidade de chegar bem longe, almejando, quem sabe, uma Copa do Mundo.
Mas o candango ainda está iniciando em sua carreira internacional. Participou como quarto árbitro do amistoso entre Brasil e Holanda em Goiás, mas ainda não apitou nenhuma partida além das fronteiras nacionais. Muitos jogos de Copa Libertadores, Sulamericana, amistosos de seleções, Copa América e Eliminatórias da Copa do Mundo haverão de vir para credenciá-lo ao posto de aspirante à arbitro de um mundial. Condições ele já mostrou que tem.
O Refnews entrevistou este grande árbitro, para saber mais sobre o seu dia a dia, seus treinamentos e sua carreira.
Refnews: Quando iniciou na arbitragem e o que o motivou? Quando estreou na primeira divisão do estadual e do nacional?
Sandro: Iniciei em 2004, motivado pela paixão por futebol. Fiz o curso promovido pela Federação Brasiliense de Futebol e pelo Sindicato dos Árbitros de Futebol do DF. Minha estréia na primeira divisão do DF foi em 2005 e no quadro nacional em 2006.
Refnews: Como foi receber o prêmio de melhor de 2010 e o escudo da FIFA? O que mudou com isso?
Sandro: Foi muito bom. Não imaginei que isso pudesse acontecer comigo, embora tenha me preparado para isso. Mas isso já é passado e o árbitro sobrevive apenas do presente. O que mudou foi a cobrança e a expectativa que são muito maiores agora.
Refnews: Como se dá sua rotina diária e como se divide entre o trabalho, treinos, jogos, família e descanso?
Sandro: Trabalho todos os dias, portanto os treinos são realizados de manhã bem cedo ou à noite, depois do trabalho. Treino 4 vezes por semana, sendo 2 treinos táticos e 2 treinos físicos, alternando atividades aeróbicas e anaeróbicas. O descanso é essencial e faz parte do meu treinamento. Descanso uma vez por semana e na véspera do jogo.
Refnews: Como é o seu treinamento físico, tático e das regras do jogo?
Sandro: Meu treino físico é voltado para a atividade de arbitragem e consiste em exercícios de força, reflexo, velocidade e resistência. O treino tático é realizado com o instrutor Raimundo Lopo do DF (credenciado pela CBF) e explora as carências apontadas nos comentários de pessoas que observam minha partida com olhar crítico e construtivo, em especial da minha cunhada e dos assessores de arbitragem da CBF. Sempre que recebo o relatório, avalio as críticas feitas e levo ao Lopo, que cria exercícios específicos para suprir as deficiências apontadas. O treino teórico não é programado. Posso dizer que é diário, com debates constantes que realizamos entre os componentes do quadro nacional no DF. Compartilhamos por e-mail os lances que aconteceram nos jogos transmitidos, em qualquer competição, seja no Brasil ou no exterior. Graças a essa troca de informações e de conhecimento, conseguimos aparar eventuais arestas que possam existir do ponto de vista teórico e técnico.

Refnews: Você segue alguma dieta com nutricionista?
Sandro: Já fui ao nutricionista, mas devo admitir que sou disciplinado nessa questão de alimentação. Portanto, infelizmente, não sigo a dieta que me foi passada, embora reconheça a importância da alimentação para evitar lesões e melhorar o rendimento.
Refnews: Você faz algum trabalho de acompanhamento com psicólogo?
Sandro: Quanto ao psicólogo, sempre que necessário, utilizo os serviços da Dra. Marta, que é psicóloga oficial dos árbitros da CBF e está sempre disponível no Skype (programa de comunicação via internet, por voz e mensagens). Importante salientar que não constumo ser um cliente assíduo do consultório (risos).
Refnews: É a favor da profissionalização dos árbitros? E do uso da tecnologia? Em que termos?
Sandro: Sou a favor de investimento maciço na arbitragem, seja por meio da tecnologia ou da oferta de profissionais especializados, como preparadores físicos, técnicos, psicólogos, nutricionistas, fisioligistas, médicos, fisioterapeutas, massoterapeutas etc. Além disso, se o árbitro pudesse se dedicar exclusivamente à arbitragem, acredito que a margem de erros seria ainda menor.

Refnews: Quais as grandes dificuldades na sua carreira de árbitro?
Sandro: A inveja do ser humano, a eventual parcialidade dos formadores de opinião (imprensa, dirigentes e jogadores) e estar mais distante da família do que desejaria. Acredito que essas sejam dificuldades na carreira de qualquer árbitro.
Refnews: Qual um grande momento na sua carreira?
Sandro: Não consigo destacar um grande momento, mas os anos de 2009 e 2010 foram muito importantes para mim, pois me proporcionaram o ingresso na FIFA e o prêmio (de melhor árbitro) do Brasileirão. A estréia internacional no amistoso entre Brasil e Holanda (em junho de 2011) também foi muito marcante.
Refnews: Deixe uma mensagem para árbitros de futebol e leitores do Refnews.
Sandro: Lealdade, imparcialidade, moralidade, perseverança, equilíbrio, zelo e atitude. Princípios que devem nortear a carreira de um árbitro.
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