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Cresce interesse das mulheres pela arbitragem

Interesse das mulheres pela arbitragem cresce, mas 63% desistem antes do início da carreira

O interesse feminino pela arbitragem tem crescido nos últimos anos, mas não o suficiente para superar as dificuldades do início de carreira dos profissionais do apito.

Na década passada, 70 mulheres entraram na escola de formação de árbitros e assistentes da FPF (Federação Paulista de Futebol), mas só 38 conseguiram concluí-la. O índice feminino de desistência tem crescido junto com o aumento da procura.

Maria Eliza é assistente do quadro da FIFA

Entre 2005 e 2009, nas quatro últimas edições já encerradas do curso, houve a inscrição de 49 mulheres. Deixaram a escola antes de receber o diploma 31 delas. Ou seja, 63,26% das aspirantes a árbitras e bandeirinhas acabaram desistindo da carreira antes mesmo de iniciá-la. No mesmo período, o índice masculino de desistência parou nos 37,8%.

“A arbitragem é uma atividade nova para a mulher, que a deixa curiosa”, afirma o presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol de São Paulo, Dárcio Pereira. “Mas muitas não sabem como o processo funciona, que vão passar por testes, apitar jogos menores. E tem as que começam a namorar, que se casam…”, diz ele.

“Você precisa gostar demais para continuar”, adiciona a auxiliar Maria Eliza Barbosa, do quadro da Fifa. A bandeirinha lembra que outras duas mulheres se formaram com ela na turma de 2001, ambas já desistiram.

Formada em 2006, a também auxiliar Graciana Paganin ainda não abandonou os planos de trabalhar com o apito, mas admite que essa não é sua prioridade. Ela ficou grávida no ano passado, enquanto treinava para os testes físicos necessários para ingressar na FPF.

“A mulher tem que tomar conta de casa, trabalhar, dar atenção aos filhos. Ela precisa abrir mão de muita coisa para ser árbitra. Eu não consegui isso”, disse Graciana. Ela busca agora conciliar os treinos e os cuidados com um bebê de dois meses.

O alto número de desistências se reflete no pequeno quadro feminino da FPF. A federação paulista conta hoje com 18 auxiliares mulheres e três árbitras. Entre as árbitras, apenas uma está apta a trabalhar na Série A-1.

Regildênia de Holanda Moura, a única árbitra credenciada, participou das duas primeiras rodadas do Paulista como árbitra assistente adicional, que se posiciona atrás da linha de fundo, novidade do Estadual-2011. Outras três mulheres trabalharam nas rodadas inaugurais, como bandeirinhas. Apesar da adoção dos dois árbitros extras por jogo, não há perspectiva de aumento no aproveitamento feminino.

“A curto prazo, não dá para aumentar. Ainda temos que prepará-las para isso. Duas das nossas árbitras ainda têm que comprovar capacidade”, afirmou o chefe da comissão de arbitragem da FPF, Marcos Marinho. “A exposição na Série A-1 é maior que na A-2. Elas precisam estar no ápice técnico.”

Graziele Crizol é muito requisitada em jogos festivos

Para engordar o orçamento, bandeirinha Graziele Crizol atua em jogos-festa. Distante da elite do apito, a bandeirinha Graziele Crizol, 31, encontrou uma forma alternativa de ganhar dinheiro na carreira que escolheu. A auxiliar de arbitragem, que trabalha em jogos de divisões inferiores e categorias de base, atua também em jogos festivos e corporativos.

“Tem jogo-festa todo fim de semana. Ele traz um retorno financeiro maior do que as partidas oficiais”, afirmou Graziele, que se recusou a revelar seu cachê, a FPF paga R$ 475 por jogo na Série A-2.

Com foco na carreira alternativa, ela criou um site para “facilitar o contato com as empresas interessadas”. Nas fotos, aparece em poses que em nada lembram a rigidez de um profissional do apito.

“Sou um produto. Em jogos de empresa, tenho que me mostrar como pessoa também. Para esse trabalho, não preciso ser sexy. Mas ajuda ser bonita”, afirmou.

Segundo Adilson Leonardi Lima, gerente esportivo da Elos Cross Marketing, beleza não é critério de contratação.

“Vendemos a sensação de que nossos clientes são jogadores por um dia.

Por isso, contratamos árbitros profissionais. Normalmente, colocamos árbitros homens e bandeirinhas mulheres para dar um charme”, diz.

Fonte: Folha de São Paulo
Link: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/864653-interesse-das-mulheres-pela-arbitragem-cresce-mas-63-desistem-antes-do-inicio-da-carreira.shtml

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