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Análise psicológica da arbitragem

O futebol vem passando por uma modernização constante tanto na parte técnica, tática e cultural nos seus diversos setores, entre eles, a arbitragem. Os árbitros, junto com jogadores e treinadores, são imprescindíveis nas competições desportivas, e suas participações são pontos chaves para o espetáculo esportivo, mas para que tenham uma boa atuação, deverão ter um bom preparo técnico e uma conduta psicológica sadia, visto que as pressões são constantes dentro e fora das quatro linhas, em campo ou em quadra.

Notamos que nas federações, onde os cursos de arbitragens são realizados, há uma carência de orientações e treinamentos psicológicos para este profissional, particularizando o curso em sua maioria, na parte teórica e física para o exercício da atividade. Como há pouco na literatura esportiva e psicológica sobre o assunto, não é de costume o assessoramento psicológico dos árbitros pelas federações, mesmo sabendo que há uma cobrança excessiva pela precisão e objetividade para propiciar um melhor nível de jogos, com menores prejuízos para as equipes envolvidas no espetáculo esportivo, ocasionados por possíveis falhas da arbitragem.

A tarefa árdua dos árbitros é levar uma partida até o final, com competência e sem perder nenhum lance, mesmo sendo submetido a pressões externas e internas relativas à profissão, necessitando de autocontrole e autoconfiança para conseguir a imparcialidade exigida.
O treinamento psicológico proporciona ao árbitro o aprendizado, manutenção e aperfeiçoamento psíquico que influenciará na condução da partida e desenvolvimento de habilidades como:

* Automotivação
* Controle da tensão
* Confronto do estresse
* Mudança ambiental e cultural
* Manutenção da imagem

Para ter autoconfiança, o árbitro é necessário ter um bom preparo tanto físico como psicológico para que o mesmo possa tomar decisões importantes em pouco tempo e ainda sob pressão, tornando assim, a função muito estressante e ainda uma segunda ocupação. Alguns estudiosos apontam que para melhorar o contexto da arbitragem é indispensável a profissionalização da função, por exigir grande dedicação, e que as escolas de arbitragem não devem apenas ensinar as regras do jogo, mas também se expandir para trabalhos psicológicos com os futuros árbitros e a manutenção desse trabalho junto das federações, tornando-o contínuo, pois hoje em sua maioria, exigem apenas cada vez mais profissionalismo no que diz respeito a sua postura dentro e fora dos campos ou quadras, pois a sociedade quer muito mais que um bom preparo físico e técnico dentro das linhas de jogo, mas também espera que fora delas tenha ética, moral e educação junto a jogadores, colegas, dirigentes, imprensa, ou seja, à sociedade.

O trabalho contínuo em jogos sem um suporte emocional adequado poderá causar um esgotamento físico e mental, causando o impedimento de trabalhar, de conviver e de ter uma vida normal, criando a síndrome de “Burnout”, que é um transtorno neuropsicológico surgido devido a excesso de estresse intelectual e emocional, cuja recuperação demora cerca de um a dois anos, mas as sequelas mantêm-se por muitos mais, ficando o árbitro incapaz de exercer a sua função.

Para os árbitros, não é dado o direito de equivocar-se e muitas vezes são cobrados o impossível, sendo sempre obrigados a provar sua capacidade, honestidade e imparcialidade e quando é escolhida esta função, tem que desempenhar da melhor forma possível, trabalhe sempre o fator emocional para bom desempenho dentro e fora das linhas de jogo.

COMBATA A VIOLÊNCIA E PUNA O ANTIJOGO!

Por: Mauro Viana
Fonte: Livresportes
Link: http://www.livresportes.com.br/cronica.php?id=3189

Mauro Viana é árbitro de futebol e especialista em Psicologia Esportiva.
Autor do blog Esporte é Saúde – http://professormauroviana.blogspot.com/

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  1. Paulo S. Arruda
    15/04/2011 às 9:50

    Gostei muito do artigo sobre a arbitragem brasileira, mas um detalhe me chama muito
    a atencão, sobre o tempo de maturacão de cada indivíduo que atua dentro da arbitra-
    gem profissional, qual o caminho que cada um tem de trilhar para subir degrau a de-
    grau, com seguranca e sem pressa, alcancando o momento de participar de um classico
    quando escalado. Os dirigentes que estão por traz de um contingente de árbitros novos e recém formados, devem deixar isso bem claro, pois se depender de cada árbi-
    tro, o próximo clássico em sua cidade deverá ser êle como árbitro central. Fiquei
    bastante temeroso com um árbitro de 20 anos aproximadamente no Rio de Janeiro, ao
    qual coube no mês passado dirigir um jogo importante entre os grandes do futebol
    carioca. Foi tudo bem? Não sei! Mas que foi prematuro eu sei que foi!

  2. 18/04/2011 às 14:08

    Equilibrio emocional nessa profissão é essencial para não perder o foco e resultado.

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