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Entrevista do ex-árbitro Biro Biro dada à MTV

Marquito, foi o árbitro-show mais popular do Brasil e faleceu em 2007

Você pode nunca ter ouvido falar do William Lobo Souza, um senhor muito, mas muito simpático. Mas com certeza quando o Rock Gol começar a rolar na tela da MTV, vai ser impossível não se juntar ao fã clube e delirar com as macaquices em campo deste árbitro que pode ser tudo, menos um cara normal.

Com a bagagem respeitável de 38 anos atuando como árbitro – sendo 20 deles como federado e cinco pela CBF, em torneios profissionais – Marquito, como ficou conhecido em referência ao personagem do programa do Ratinho, é uma estrela à parte. No auge dos seus quase sessenta anos, acompanha todos os lances de perto. Não deixa escapar nada. Apita com vontade. Pula, gesticula, ouve os jogadores, sempre com o maior respeito. E quando a galera grita o seu nome, ele não pensa nem duas vezes: vai pra galera. Corre o campo todo, como se estivesse dando uma volta olímpica. O jogo pode esperar. Não é todo dia que a torcida aclama por um árbitro. Ainda mais no futebol.

Mas afinal de contas, qual o segredo? Como um árbitro, que é sempre alvo de chacotas, cusparadas e tem a mãe xingada de tudo quanto é nome consegue atrair tamanha atenção dos torcedores? É o que tentamos descobrir neste papo bem descontraído com ele, Marquito, uma das grandes estrelas deste Rock Gol 10. Confira!

Um árbitro em campo está longe de ser uma figura popular. Qual o segredo para ser tão querido?

Marquito: Muita humildade e respeito com todos. Quando eu trabalho em um lugar, gosto de ter contato com todos. Cumprimentar desde o motorista até o torcedor, no caso. A satisfação maior desse Rock Gol é o povo que veio até aqui ver os jogos, sem eles tudo isso aqui não seria nada.

O que você sente quando a torcida grita o seu nome?

Ah, eu me sinto um homem realizado. Posso morrer. Nosso país tem a mania de não prestar homenagem as pessoas, ao povo. Só que aqui foi diferente. Valeu muito a pena.

Você é árbitro desde quando? Fala um pouco da sua carreira…

Sou árbitro mesmo desde 1981, quando eu me tornei federado. Mas a minha história começou mesmo quando eu cheguei aqui, vindo lá da Bahia, e comecei a apitar jogos na Liga de Guarulhos. Depois de tudo isso, foram cinco anos servindo a CBF e apitando jogos profissionais. Foi então que eu cheguei aqui ao Rock Gol e estou aqui trabalhando há três anos, sempre com muito carinho e satisfação.

Você nunca tentou ser jogador de futebol?

Eu joguei muita bola, garoto! Antes de ser árbitro eu jogava de lateral-esquerdo lá no Flamenguinho de Guarulhos. Só que você sabe como são as coisas…Vida de jogador de futebol antes de virar estrela é dura demais. Acabei desistindo. Acabei virando árbitro, que tornou-se a minha paixão. E você sabe, como já diria o (jornalista) Chico Lang, na vida o juiz ou é doido ou é viado. No meu caso, preferi ser doido mesmo…hehe

Você não acha a profissão de juiz de futebol um pouco ingrata? Já teve algum episódio em que você passou algum tipo de apuro?

Quanto a primeira pergunta, prefiro não ver a questão por esse lado. Tenho amor pelo que eu faço e pronto. Agora, que eu já passei uns apertos, ah, isso já. Uma vez, apitando lá em Andradina (interior de São Paulo), tive uma interpretação num jogo local que deixou a torcida e o time adversário enfurecidos. Quase morri por lá mesmo. O povo daquela cidade é embaçado…

Com tantas dificuldades, de onde você tira essa alegria e ânimo?

Essa pergunta é muito boa. Sou um cara que tem uma força interior muito grande. Na minha vida, por mais que eu nunca fosse um cara de treinar muito, essas coisas, eu sempre fazia as coisas correndo, no maior pique. Sempre. Ia para o supermercado no cooper, na padaria…Com isso, acabei pegando um físico bom, tanto que quando eu estava na CBF, eu era um dos árbitros que mais agüentavam correr. Eu sou assim.

Até durante os jogos, no meios dos lances, você deixava tudo e corria pra galera. Pode-se dizer que você viciou na fama?

Hahahahaha….O que a torcida pede eu faço. Dou autógrafo, o que for. Faço tudo por eles…

Fonte: MTV / SAFESP
Autor: André Naddeo

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