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Entrevista com Sérgio Pezzotta na revista Conmebol

Os reconhecimentos chegaram no final da carreira. A final da Libertadores e a Copa América neste ano.

– O quê significa para você dirigir esta final de Libertadores entre Santos e Peñarol?
– É uma honra que tenham pensado em mim, sobretudo porque este ano, sabendo que pela idade o último torneio que podia dirigir era a Copa América, tinha apontado a isso, e graças a Deus houve a possibilidade de ser designado. E, além disso, a satisfação de terem me escolhido para este Santos x Peñarol. Na verdade foi toda uma surpresa!

– Quantos jogos da Libertadores teve este ano?
– Vários, foram sete no total. Deviam ser sete. Estava designado para dirigir o Inter de Porto Alegre, mas justo nesse dia tive que arbitrar um jogo suspenso na Argentina e tiveram que me substituir. Foi uma das Copas Libertadores – junto com a de 2007 – que mais jogos apitei. (Entre esses 6 que menciona, Pezzotta teve ao seu cargo o único jogo em que o Santos perdeu: 3 x 2 ante o Colo Colo, em Santiago).

– Quando você se aposenta da arbitragem?
– No dia 31 de dezembro de 2012. Vou ter 46 anos.

– Você se encontra em um bom momento?
– Sim, e muito disso tem a ver a parte psicológica. Faz um tempo que estou trabalhando com este tema. O fato de morar em Rosario me dá a
possibilidade de armar uma equipe individual de trabalho. Conto com um preparador físico, um fisioterapeuta, um nutricionista e uma psicóloga. A partir do período 2003/2004 comecei a trabalhar com este grupo, que foi se armando com o correr do tempo. E creio que grande parte do crescimento que tive ao longo destes anos eu devo a esta equipe que precisamente tenho armado. Isto ajuda muito. Mais além do físico, ajuda com o psíquico, que tem a ver com a tarefa que nós árbitros desempenhamos dentro do campo de jogo.

– Há 40 anos atrás se um árbitro dissesse que contava com uma equipe pessoal com preparador físico, nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo, pareceria ficção científica …
– Isto tem muito a ver com o profissionalismo do futebol. Não se pode ficar à margem diante dos fatos que foram sucedendo nos últimos  anos. Tem que se preparar como as equipes fazem.

– Nota-se que através de todo este trabalho, com este grupo, melhorou muito, se sente outro árbitro?
– Com certeza. Quando cheguei no futebol profissional tinha uma certa falta de experiência e essa experiência fui construindo dirigindo as equipes. Estreei aos 32 e aos 33 fui internacional.

– É o primeiro árbitro rosarino em dirigir uma final da Copa Libertadores?
– Sim e representar a todos os meus companheiros do interior é um privilégio. Baldassi é de Córdoba, mas ele mora em Buenos Aires e fez toda sua carreira ali. Na verdade, é uma grande honra. Três árbitros de Rosario surgiram nos últimos tempos: Claudio Martín, já aposentado, Saúl Laverni e eu.

– Nunca dirigiu um Rosario Central x Newells?
– Não, pelo fato de ser rosarino e por uma questão de segurança não posso arbitrá-lo. Nenhum rosarino dirigiu esse clássico. Para mim sempre foi uma conta pendente o fato de ter dirigido os melhores clássicos argentinos e não o da minha cidade. O povo é muito passional em Rosario.

– O que esperava do jogo Santos x Peñarol?
– Passar o mais inadvertido possível. O importante nestes casos é estar tranquilo, frio. E que seja um espetáculo para as pessoas. Esta partida é vista por milhões de pessoas. Além das equipes implicadas, atrai o torcedor neutro e bom, que a gente possa desfrutar.

– Quando entra em campo, qual é o seu máximo objetivo como árbitro?
– Demonstrar serenidade. Creio que o árbitro deve transmiti-la ao jogador porque quando este confia no que está fazendo, tudo fica muito  mais simples. É uma tarefa de convencimento. Convencer o jogador do que se está sancionando. Penso que isso lhe dá experiência. Em  campo falo o necessário. Não sou de dialogar muito. Uma palavra no devido tempo evita uma sanção e o jogador finalmente reconhece. O  jogador está a mil por hora e o juíz tem que demonstrar mais serenidade.

– Que outros aspectos te preocupam?
– Obviamente, acertar o máximo possível. Provoca-me muita dor o equívoco. A maioria dos equívocos formam parte de uma desconcentração ou de uma má colocação dentro do campo de jogo. Creio que estar concentrado e bem colocado diminui a margem de  erro, sempre algo pode escapar, porque o jogo é rente ao piso e há 22 pessoas que se movem constantemente.

– Que recomendações você dá à Comissão de Árbitros da CONMEBOL?
– Estar atento às simulações. E o tema do jogo brusco é importantíssimo. A Copa Libertadores em seus inícios se caracterizou pelo jogo  violento. Com a intervenção da TV neste torneio e a todo o futebol, esse nível de violência abaixou. A premissa da Comissão é reduzir a violência.

SERGIO FABIÁN PEZZOTTA
Nascimento: 28 de novembro de 1967, Rosario, Argentina
Trajetória profissional:
– Estreia na 1a. División: Talleres 1 x 0 Estudiantes (05/04/1999)
– Estreia como árbitro internacional: Atlético Paranaense x Emelec (2000)
– Atuou nos Sulamericanos Sub-17 (Venezuela 2005), Sub-20 (Paraguai 2007), Copa América (Venezuela 2007, México 2 x 0 Brasil, Brasil 1 x0 Equador, México 6 x 0 Paraguay) e Copa Libertadores.

Fonte: Revista Conmebol (tradução)
Autor: Jorge Barraza

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