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Árbitros de SP e RJ usam critérios opostos para dar cartões

Cléber Abade (SP) apita o clássico São Paulo x Palmeiras

As duas escolas de arbitragem que mais trabalham no Brasileiro não conseguem se entender sobre como se deve dirigir um jogo de futebol.

Os juízes de São Paulo e Rio, que juntos apitaram 69 das 199 partidas da Série A (34,6%), têm filosofias opostas sobre o uso dos cartões.

Os árbitros paulistas são os que menos apelam a esse artifício no país. Em média, eles distribuem 4,4 amarelos e 0,2 vermelho a cada partida.

O Rio de Janeiro está no outro extremo do ranking. Entre os sete Estados que mais apitaram neste ano, é o com os juízes mais rigorosos –média de 5,9 advertências por encontro dirigido e uma expulsão a cada dois jogos.

O maior disciplinador do campeonato é o carioca Antônio de Carvalho Schneider, que dá oito amarelos por jogo. O paulista Cleber Wellington Abade, o menos rigoroso do país, não chega nem à metade dessa marca: tem uma média de três advertências.

A diferença gritante entre os juízes mais requisitados do Brasil e que ameaça o discurso de padronização do apito feito pela Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol (Conaf) já começa no berço.

São as federações estaduais que formam os profissionais da área. E os responsáveis pela arbitragem dos dois Estados festejaram os resultados dos seus pupilos no levantamento feito pela Folha.

“Isso pode ser reflexo do trabalho que fazemos para que nossos árbitros conversem mais, aprendam a comandar o jogo. Quando o juiz perde o controle, usa cartões para impor autoridade”, diz o coronel Marcos Marinho.

“Um árbitro que dá dois ou três cartões por reclamação tem que analisar onde está errando”, completou o chefe da arbitragem paulista.

Seu correspondente na federação do Rio não poderia ter discurso mais diferente.

Para Jorge Rabello, o árbitro deve falar pouco e agir bastante. Isso inclui usar cartões para coibir as reclamações e educar os jogadores.

“Aqui só tem juiz corajoso. É tolerância zero”, disse o carioca, antes de criticar a linha defendida pelos paulistas.

“Já vi jogo em São Paulo em que a imprensa falou que houve muita violência e que terminou com três cartões.”

Procurada pela reportagem, a Conaf desqualificou o levantamento por considerar que ele só seria válido “se ambos os grupos de árbitros dirigissem os mesmos jogos e com as mesmas nuances”.

A comissão informou que seus cursos e seminários para padronizar critérios no apito atingem mais de 3.000 árbitros de todo o Brasil.

E ressaltou que os juízes se deparam em uma partida com situações completamente interpretativas, em que “não há como alcançar igualdade absoluta” nas ações.

Fonte: Folha de SP
Link: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/969869-arbitros-de-sp-e-rj-usam-criterios-opostos-para-dar-cartoes.shtml

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