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Archive for janeiro \28\UTC 2015

O árbitro e as exigências de atleta

Instrutores de arbitragem preconizam que um árbitro deve estar posicionado a cerca de 17 metros da jogada para tomar as melhores decisões. E a melhor maneira de estar tão próximo da bola no desenrolar da partida durante os 90 minutos é uma só, correr. Em cada partida os árbitros chegam a percorrer de 10 a 12 quilômetros no campo de jogo enquanto acompanham os lances com a devida proximidade. A média dos jogadores fica em 11 quilômetros por jogo, mas geralmente eles se posicionam em determinadas zonas de atuação menores, o que os permite ter pequenos descansos. geiger-referee Comparado com outros esportes, o futebol exige mais de árbitros e atletas. Veja o comparativo com as médias de distâncias percorridas. Baseball: 100 metros – os atletas desta modalidade não são conhecidos por correr muito, ao contrário, praticamente não se movimentam durante uma partida. Futebol Americano: 2 km – a média na Liga Norte-americana (NFL) registra cerca de 11 minutos de jogo ativo de fato. Os “receivers” e os “cornerbacks” são os que mais correm durante uma partida. Basquete: 4,6 km – esporte bem intenso, mas disputado em uma quadra de dimensões reduzidas. O recorde na temporada de 2014 foi Jimmy Butler do Chicago Bulls, com uma média de 5 km por partida. Tênis: 5km – Durante a partida mais longa da história, em Wimbledon em 2010, estima-se que John Isner e Nicholas Mahut correram cerca de 10 quilômetros cada durante as 11 horas e 5 minutos de jogo. Futebol: 11 km – futebol é um dos esportes coletivos que mais exigem fisicamente, com uma média de distância percorrida bem alta, além da alta intensidade. Os meio campistas são os que mais correm, podendo superar os 14 km em uma partida. “Quanto mais próximo da jogada, maior credibilidade temos em nossas decisões” – comentou Mark Geiger, árbitro de 39 anos dos EUA que apitou a Copa do Mundo 2014 no Brasil. “O jogo é muito rápido, damos muitos tiros curtos e fazemos muitas corridas longas para estar sempre próximos da jogada”. Referee_Mark_Geiger_advantageGeiger é profissional desde 2004 e é o primeiro árbitro norte-americano em uma Copa do Mundo desde 2002. Ele acredita que sua disciplina e preparação física o ajudaram a estar pronto para atuar em alto nível. No ano de 2014 ele aumentou seus treinamentos, usando técnicas como a “tempo”, tiros curtos e “fartlek” para se preparar, estando apto a caminhar, trotar e correr ao menos 10 km em cada partida. Como árbitro profissional em tempo integral, Geiger atua pela MLS (Liga Norte-americana) e trabalha para a PRO (Professional Referee Organization) – Organização dos Árbitros Profissionais – uma empresa com a missão de qualificar os árbitros na América do Norte. Parte dessa melhoria vem da evolução do vigor físico dos árbitros, por isso a entidade contratou 3 anos atrás o preparador físico e ex-jogador Matt Hawkey. “O corpo humano é extremamente complexo. Ele não sabe se você é um árbitro ou um jogador”, comenta Hawkey, que é um dos 5 treinadores de árbitros dedicados no mundo. “Eu me preocupo com os níveis de força, explosão, aeróbico e anaeróbico em cada arbitro”. A partir dessa avaliação, ele monta um programa de treino individual para cada árbitro empregado pela PRO. De acordo com Hawkey, se você que estar apto fisicamente para atuar em alto nível, seu corpo precisa estar preparado para lidar com frquentes tiros curtos e intensos por 90 minutos ou mais. Um outro desafio é que as decisões mais críticas durante uma partida acontecem quando o árbitro está mais cansado.

Matt-Hawkey

Matt Hawkey

“Nos últimos 15 minutos os jogadores e o árbitro estão cansados, mas você precisa continuar”, diz Geiger. “Diversas vezes eu terminei a partida sem forças de tanto correr”. O trabalho de Hawkey tem sido de garantir que Geiger tenha energia e força de sobra para os momentos críticos até o final da partida. Para isso ele programou uma série de atividades físicas intervaladas que exigem mais do que uma partida de futebol. “Eu vou estimular o Mark e dar o máximo de si, pois quero ver a sua resposta”, cita o treinador. “Já perdi a conta do tanto que ele me xingou pelos treinos puxados” – se diverte Hawkey. Um treino típico para Geiger envolve uma série de tiros curtos com pouco ou nenhum tempo de recuperação entre eles. Seguido de um exercício de agilidade ou exercício mental para garantir que seu cérebro fique afiado quando seu corpo estiver cansado. Estes exercícios exigem que o árbitro se movimente aleatoriamente à esquerda, direita, para frente e para trás, com foco nos movimentos de um companheiro, enquanto lançam e pegam uma bola. O programa de treino foi desenhado não apenas para dar vigor, mas também para melhorar a recuperação. Durante a temporada da MLS, Geiger trabalhar em pelo menos 3 jogos por mês, sem considerar os torneios internacionais. Suas pernas precisam estar relaxadas, tudo isso enquanto viaja pelo país e o mundo afora. Se você acredita que possui o vigor de um árbitro de futebol, o preparador físico sugere tentar completar um teste físico padrão FIFA, que é um dos muitos requisitos para trabalhar em jogos de nível internacional. O teste requer que se complete 6 tiros de 40 metros em até 6,4 segundo, com 1 minuto e meio de recuperação entre eles. Após 10 minutos de recuperação, é necessário completar 20 repetições na pista, que inclui uma corrida de 150 metros em 30 segundos e uma caminhada de 50 metros em 40 segundos. É um exercício “fartlek” que compreende 4 km em 22 minutos, atingindo uma velocidade média de 18 km/h. “Mas para mim, esse é o mínimo da exigência física para ser um árbitro. Nossas exigências são maiores que estas”, enfatiza Hawkey. “Por este motivo Geiger passou com facilidade nos testes da FIFA e cumpriu bem seu papel na Copa do Mundo”. “Existe muita pressão. Há muitas câmeras nessas partidas e todas as decisões serão analisadas sob um microscópio. Procuramos manter o foco e acreditar nos nossos treinos físicos e técnicos, e ter fé queu tomaremos as decisões corretas”. Geiger finaliza dizendo que “os jogadores merecem árbitros de qualidade. Se quisermos cumprir bem nosso papel, temos que dar um passo à frente e atender às expectativas. É muito importante estarmos no topo da forma física”.

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Árbitros paraguaios treinam em pré-temporada

15/01/2015 2 comentários

Capitaneado por Carlos Amarilla, os árbitros de futebol do Paraguai treinam em pré-temporada para as competições do ano de 2015 no Centro de Alto Rendimiento Deportivo y Educativo de la A.P.F. Ypane.

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Amarilla tem 44 anos, é árbitro internacional do quadro da Fifa e iniciou sua carreira em 1997. Apitou a final da Copa América de 2004, entre Brasil e Argentina e atuou na Copa do Mundo de 2006 na Alemanha.

 

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Fifa muda limite de idade de árbitros internacionais

1617539_full-lndA idade limite de 45 anos para sair do quadro internacional da arbitragem vai mudar. A Fifa determinou que haverá um aumento neste limite e passará a valer 50 anos. Com isso, as federações começam a se movimentar para buscar soluções para os seus quadros e diminuir a quantidade dos árbitros.

O presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Sérgio Correa, comemorou a decisão da Fifa e já planeja colocar em prática no Brasil. “A Fifa sinalizou para os árbitros internacionais, os que cumprirem as exigências físicas, mentais e sociais, que eles poderão continuar apitando até os 50 anos, como era antigamente. Só não tenho um documento da entidade dizendo quais serão as regras de acesso ao quadro internacional. Tendo isso, posso fazer um plano de carreira com este novo limite. Temos vários árbitros na casa dos 40 anos que não podiam pensar mais na carreira internacional, que tinha o limite de 38, mas agora podem pensar”, ressaltou o presidente.

Há alguns anos, árbitros ainda no auge da carreira deixavam de apitar os jogos internacionais por conta do limite de 45 anos, além dos 38 para ingressar na Fifa. Sérgio Correa considera que esta nova determinação vai melhorar a qualidade dos quadros das arbitragens pelo mundo.

“No Brasil, quem indica o árbitro é a Federação. Alguns anos atrás, fizemos uma renovação forçada porque era uma necessidade, mas com o retorno às origens, com qualidade e em alto nível, sem se arrastar em campo, você terá grandes árbitros em atividade. Carlos Eugênio Simon, Altemir Hausmann, Roberto Braatz e outros poderiam ter continuado por mais tempo, mas eles tiveram que parar aos 45 anos”, lembrou Sérgio Correa.

Fonte: Terra

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Marcelo de Lima Henrique defende árbitros: “Criticar a arbitragem vende”

Ele suscita amor e ódio. Árbitro que mais jogos (29) apitou em 2014, foi um dos quatro a receber nota 10 da Comissão Nacional de Arbitragem em uma partida. Mas é o mais detestado pelos jogadores que disputaram o Brasileiro. Mesmo assim, Marcelo de Lima Henrique, 43 anos, é considerado um dos principais juízes do país. Após ter recebido proposta irrecusável e trocado a Federação Carioca pela Pernambucana – apesar de ter deixado de pertencer ao quadro da Fifa no dia 31 de dezembro -, ele quer uma digna despedida de carreira. Emocionado, fala sobre erros, acertos, polêmicas, tecnologia, profissionalização e avisa: pretende regressar à Ferj para exercer função na Comissão de Árbitros após pendurar o apito.

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O DIA: Relatório da CBF aponta que a atuação da arbitragem no Brasileirão de 2014 foi próxima de excelente (nota 8,44). A escala de notas da Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf) condiz com a realidade do que se vê nos campos de futebol do país?

Marcelo: Ela é responsabilidade da CBF, que segue parâmetros da Fifa. Na arbitragem tomamos várias decisões durante uma partida e o que importa são as “grandes decisões”, como expulsar ou não um jogador, a questão do gol ou não gol, do pênalti ou não pênalti… Vimos erros em “grandes decisões” e isso nos dá a sensação de arbitragem ruim. Até porque, às vezes, ela interfere no placar.

Como você vê a enxurrada de críticas à arbitragem brasileira atualmente?

No mundo todo é assim. Aqui se acentua mais por fatores como herança cultural, que sempre acha que o árbitro é o culpado, transferência de responsabilidade por parte de dirigentes, jogadores e técnicos, e até falta de respeito às autoridades e às instituições constituídas.

Em relação aos ex-árbitros que hoje são comentaristas de arbitragem. Você é a favor de tal prática?

Sou. Só acho uma pena que a maioria esteja desinformada, não tenha se modernizado para a função, com conceitos antigos e retrógrados. Salvam-se dois ou três.

Quem?

Os mais preparados e atualizados são Sálvio Fagundes, da ESPN; Carlos Simon, da Fox Sports; Leonardo Gaciba e Paulo César de Oliveira, da Rede Globo.

Muitos são considerados corporativistas, você concorda com tal afirmação?

Não. Eles são realistas. Se há erro do árbitro, apontam, sem folclore, sem levar para o lado pessoal. Dá para criticar e ser ético. Pena que alguns ainda se esqueçam que estiveram lá dentro (em campo) e que nós temos família.

Você foi o árbitro com a maior média de notas no Brasileirão-2014, ganhando um 10 pela atuação na vitória (3 a 2) do Atlético-MG sobre o Cruzeiro. A que atribui seu desempenho?

Em 2014, especificamente, tive uma sequência de excelentes trabalhos nos principais clássicos pelo Brasil. Vejo muito futebol, vivo futebol, respiro futebol e arbitragem.

Você também é o árbitro que mais partidas (29) apitou na temporada. A que atribuiu tal marca?

Fui o árbitro que mais atuou em 2014 porque, em um momento conturbado pós-Copa do Mundo, mantive uma regularidade e isso, na arbitragem, faz grande diferença.

Você se considera o melhor árbitro do Brasil?

Fui considerado o primeiro de acordo com as notas e avaliações minuciosas. Quanto a ser o melhor árbitro do Brasil vai do sentimento de cada um. Fato é que estou entre os melhores há uns cinco anos. As escalas, as decisões arbitradas por mim e a confiança das Comissões de Árbitros atestam isso.

Mas você foi eleito por 108 jogadores de 13 clubes que disputam a Série A como o pior árbitro do Brasileiro, com um índice de rejeição de 19,44%. Isso incomoda?

Para mim é até um prêmio. Não incomoda nada. Entre os que mais arbitraram no Brasileiro, sou o que mais adverte e esse perfil disciplinador causa inimizades. Mas não espero consideração dos jogadores. Poucos são éticos e leais. Prefiro assim. Se não vai no amor, vai na dor. Não faço questão de ter fãs entre os boleiros.

Por que trocou a Federação Carioca pela Pernambucana?

Recebi uma proposta excelente, com ótimas condições de trabalho. E como restam dois anos para encerar minha carreira, vi que essa valorização profissional e financeira era irrecusável. Árbitro não tem salário, férias, FGTS… Tive que pensar em mim e fui muito bem recebido em Pernambuco. Mas volto logo, pois quero encaminhar minha carreira no Rio.

Como?

Segundo Rubens Lopes (presidente da Ferj), as portas estão abertas para mim. Quero dar tudo que recebi da arbitragem. Quero trabalhar na Comissão de Árbitros, na função que os gestores definirem a ideal para mim.

Você, inclusive, já atuou em Pernambuco?

Sim, no dia 7 de dezembro. Apitei Pesqueira 2 x 2 Porto, pela fase preliminar do Pernambucano.

A arbitragem brasileira – e carioca especificamente – é ruim?

Eu as avalio de boas para muito boas. Dou nota 8.

Então por que tantas críticas à arbitragem?

Criticar a arbitragem vende, dá ibope, tira o foco, desvia as atenções. Além disso, nós, árbitros, não temos voz, parece que somos todos de Marte. É mais fácil criticar, esconder erros técnicos e estruturais das equipes. Erramos sim, mas trabalhamos para diminuir tais erros, pois o futebol merece excelência. Só que xingar o árbitro é cultural e acalma a alma (risos).

O que faz o bom árbitro?

Ele é moldado na várzea, nas Ligas, na dureza dos jogos amadores. Ele tem que respirar futebol, saber a tabela do Campeonato Maranhense, Espanhol, Capixaba… Tem que viver isso intensamente.

O que derruba o bom juiz?

A soberba, as atuações pensando na próxima escala. O árbitro que tenta agradar a todos cai do cavalo. Um lado sai reclamando sempre. Decidir desagrada.

Um jogo inesquecível…

Uruguai 2 x 1 Argentina, em 2013, pelas Eliminatórias da Copa, e Botafogo 1 x 2 Flamengo, na final da Taça Guanabara de 2008.

Qual jogo gostaria de esquecer definitivamente?

Atlético MG 1 x 1 Palmeiras, pela Sul-Americana de 2010. Marquei um pênalti e tive que voltar atrás, pois o assistente teve dúvida da posição de impedimento no lance. Fiquei quase dois anos sem arbitrar na Conmebol.

E a decisão do Carioca de 2014, na qual foi validado um gol em impedimento, aos 45 do segundo tempo, que resultou no título do Flamengo sobre o Vasco?

Ainda não consigo apitar e marcar impedimento. Todos que estavam no Maracanã acharam o gol legal. Torcedores, narradores… Só pelo replay, em câmera lenta, se viu que o gol foi do Márcio Araújo, em impedimento. Minha atuação individual na decisão foi excelente.

A tecnologia é um adversário do árbitro?

Ela ajuda o bom árbitro e é inimiga do mal árbitro. Eu a aprovo e gosto muito.

Você é a favor da profissionalização da arbitragem?

Sim. Somos os únicos amadores em um esporte cada vez mais rico. Não temos direito a nada, somos voluntários remunerados por serviço prestado. Só lembram da profissionalização quando há um grande erro em uma decisão e depois esquecem. Falta lei específica que garanta direitos e deveres.

Que outros árbitros você destaca no país?

Sandro Meira Ricci, Ricardo Marques, Leandro Vuaden e Anderson Daronco. No Rio, Graziane Maciel, Patrice Maia, Wagner Magalhães e Péricles Bassols.

Que recado daria a um jovem que deseja ser árbitro?

Que só entre nessa atividade se tiver coragem para enfrentar obstáculos, com amor à atividade. Que respire futebol, pois há mais espinhos do que flores. Mas que saiba que é muito prazeroso estar inserido no futebol pentacampeão mundial.

Mulheres não apitam Série A do Brasileirão desde 2005

09/01/2015 1 comentário
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Sílvia Regina de Oliveira

Em outubro de 2005, o Paysandu venceu o Fortaleza por 2 x 1, pela Série A do Campeonato Brasileiro. O que realmente importa desse jogo é a ficha técnica. Está lá: “Arbitragem de Sílvia Regina de Oliveira”. Essa foi a última vez que uma mulher esteve com o apito em uma partida da elite nacional. Lá se vão nove anos de ausência feminina no centro da arbitragem — elas são frequentemente vistas do lado de fora do campo, como árbitras assistentes.

As razões para essa ausência são várias, na avaliação das próprias árbitras. Desde 2006, quando a Fifa alterou a avaliação física, as chances diminuíram.

Há oito anos, as mulheres precisam passar pela mesma avaliação dos homens. As seguidas reprovações levam ao desânimo. Assim, elas muitas vezes preferem concentrar as forças na carreira de assistente. E ainda há o machismo, mesmo que não seja unanimidade entre as mulheres.

No Campeonato Brasileiro de 2013, elas apareceram em 78 dos 380 jogos disputados, nas funções de assistente, assessora e quinta árbitra. Em 2014  participação foi até menor. Até a 14ª rodada, cinco partidas tiveram ajuda delas — em 2013, haviam sido 14 participações no mesmo período. O espaço parece ficar cada vez menor.

Das sete profissionais identificadas como árbitras no quadro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), apenas uma atingiu o índice masculino. Mas ela não cumpre o requisito de experiência de dois anos na principal divisão do estado.

Sílvia Regina ainda trabalha na Série A, mas como assessora. Experiente no assunto, reconhece a diminuição dessas aparições, mas rechaça haver falta de oportunidade. “É necessário ter características de atleta aliadas ao bom perfil para conduzir um jogo”, explica. Sílvia também presta serviços para a Federação Paulista de Futebol (FPF), onde há bom espaço para as mulheres. “As meninas reconhecem que as oportunidades são muitas, e as portas estão abertas para quem cumpre as diretrizes que o futebol moderno exige”, jura.

Regildenia de Holanda Moura tentou completar o teste físico para apitar a Série A em 2014. Não conseguiu. Além da dificuldade física, ela teve outro problema. “O psicológico pesou”, reconhece.

Na avaliação das assistentes com as quais o Correio conversou, é justo exigir das mulheres o teste físico masculino. No entendimento delas, os direitos e deveres se equiparam. “Esse teste ficou mais próximo da realidade do jogo”, admite Regildenia. “Sempre achei que deveria ser assim”, corrobora Sílvia Regina.

O pensamento delas é compartilhado pelo presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, para quem uma mulher não seria capaz de acompanhar uma partida masculina da Série A somente com o índice feminino no teste físico. “Em minha opinião, pelas exigências físicas do futebol moderno, não.”

Ausência vai se prolongar

As assistentes de hoje não se animam muito quando falam sobre o futuro. Pode ser que o Brasil tenha de esperar outros anos para ver uma mulher apitar um jogo da primeira divisão nacional. Considerado “desumano” por Regildenia de Holanda Moura, o teste físico continuará a ser uma barreira.

– “Sinceramente, não tenho nenhuma esperança, nenhuma expectativa de que vejamos uma mulher no apito daqui a alguns anos”, lamenta.

Essa prolongada ausência desestimulou Larissa Gabrielly. A assistente de 22 anos fez o curso de arbitragem em 2009 e, desde então, trabalhou em diversos jogos, inclusive internacionais. Ela foi auxiliar no Torneio Internacional Feminino, no Mané Garrincha, em dezembro passado. A dificuldade enfrentada pelas mulheres a levou a se concentrar no trabalho com a bandeira.

– “Por mais que falem que não tem machismo, tem sim. A mulher é mais atenta que o homem”, provoca. “Há 0% de machismo”, rebate Sílvia Regina, ex-árbitra que presta serviços a CBF e FPF.

Fernanda Colombo

Fernanda Colombo

Protagonista do último caso de ataque masculino, Fernanda Colombo, da Federação Catarinense, não cita o preconceito dos homens ao falar sobre a falta de arbitragem feminina na primeira divisão brasileira. Fernanda considera o teste físico uma das razões da quase década de ausência, mas surpreende ao citar o motivo principal. “A falta de incentivo e da própria iniciativa das mulheres em quererem apitar fazem diferença”, considera.

A projeção feita por Fernanda é a única a destoar. Mesmo depois de sofrer uma agressão verbal por um diretor do Cruzeiro após o clássico com o Atlético-MG, a catarinense acredita em uma mudança. “Com certeza é possível. Tudo indica que isso vai acontecer”, imagina. Falta definir como.

Na Playboy

Em maio, Fernanda assinalou impedimento inexistente no clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro, pela Série A do Brasileiro, e virou assunto nacional. “Se ela é bonitinha, que vá posar na Playboy”, disse, à época, Alexandre Mattos, diretor de Futebol do Cruzeiro.

Fonte: Superesportes

Bandeirinha Fernanda Colombo lamenta machismo no futebol

07/01/2015 1 comentário

colombo2Rotulada como “bandeirinha musa”, Fernanda Colombo sofreu com a exposição em 2014. Expulsa da Federação Catarinense de Futebol (FCF) por “falta de profissionalismo”, a árbitra assistente se afastou da família (residente em Criciúma) e agora vive seus primeiros meses como integrante da Federação Pernambucana (FPF). A catarinense de 23 anos desabafou sobre as críticas que andou recebendo.”Maior incômodo é de não ter o reconhecimento do trabalho. Isso incomoda qualquer profissional em qualquer área. Mas aconteceu”, lamentou a bandeirinha.

O acontecimento a que Fernanda se referiu foi a expulsão do quadro de arbitragem da FCF. A medida veio junto com ofensas do presidente da entidade, Delfim Peixoto.” O fato de ser mulher chama mais atenção. Os erros ganham proporção maior. O futebol é ainda um esporte muito masculino. O futebol feminino não tem muito espaço ainda”, disse Fernanda, após sete meses de um fatídico episódio.

Ao citar a diferença de proporção dos erros entre árbitros homens e mulheres, ela lembrou os comentários do cartola Alexandre Mattos. Em maio do último ano, o então diretor de futebol do Cruzeiro afirmou que “estão tentando promovê-la porque ela é bonitinha”. A declaração foi dada após supostos equívocos cometidos pela bandeirinha em um clássico mineiro entre Atlético-MG e Cruzeiro.”Vai demorar um pouco, mas as mulheres estão, ainda que aos poucos, dominando vários âmbitos do futebol. Torcendo, jogando, trabalhando no jornalismo. A mulher vem se inserindo e, a longo prazo, isso vai se modificar”, projetou. Em dois meses na FPF, Fernanda trabalhou em quatro jogos do Campeonato Pernambucano.

As ofensas

“Estão tentando promover ela porque ela é bonitinha e não é por ai. Ela tem que ser boa de serviço, profissional e competente. O erro dela foi muito, muito, muito anormal, coisa de quem está começando uma carreira. Se é bonitinha, que vá posar para a Playboy, não trabalhar com futebol”, diretor de futebol do Cruzeiro, Alexandre Mattos.

“Ela queria ser vedete, queria ser modelo. Eu disse, então, que ela não trabalhava mais aqui. Falei para procurar outra federação. Na minha não ficaria. Quero moças, sim, mas tem que ser profissional. Começou a querer aparecer em tudo que é revista. Mostrar a coxa, mostrar a bunda. Não é assim que funciona por aqui”, presidente da FCF, Delfim Peixoto.

Como recebeu as críticas de Delfim Peixoto, seu ‘ex-patrão’?
– Isso para mim é passado, estou focada no futuro, gastando as energias no trabalho e não no que falam de mim.

Está gostando das primeiras semanas em Pernambuco?
– Fui muito bem acolhida, tanto pelo pessoal da federação, quanto pela cidade. Está sendo uma experiência positiva. O pessoal aqui é receptivo. Estou bem feliz por essa mudança. Já fui reconhecida, o pessoal comenta nas ruas. Tem o assédio da mídia.

Já se adaptou à nova vida?
– Mudar de casa já muda a rotina, né? Mudar de federação muda as pessoas, muda a forma de trabalho. Estou gostando da maneira como as coisas são conduzidas aqui em Pernambuco.

Você foi apresentada pela Federação Pernambucana em novembro. O que fez desde então?
– Meus compromissos nesses meses foram mais relacionados à preparação para o Campeonato Pernambucano. A preparação foi bem intensa. Focamos em aspectos psicológicos e físicos.

Fonte: Correio do Povo

Nicola Rizzoli é eleito o melhor árbitro do mundo pela IFFHS

Italiano que apitou a final da Copa é eleito o melhor árbitro do mundo pela IFFHS.

Nicola-RizzoliO italiano Nicola Rizzoli foi eleito melhor árbitro do mundo em 2014, pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS), em lista de 10 nomes, nenhum de brasileiro.

Rizzoli, de 43 anos, apitou a final da Copa do Mundo, em que a Alemanha derrotou a Argentina por 1 a 0, e teve 131 pontos, no ranking da entidade. Logo atrás ficou o inglês Howard Webb, com 78 pontos.

Todos os dez árbitros incluídos na lista de melhores do ano pela IFFHS participaram da Copa do Mundo. Único brasileiro na competição, Sandro Meira Ricci não apareceu entre os primeiros colocados.

Do grupo dos destaques do ano, sete são europeus, um é asiático, uzbeque Ravshan Irmatov, quinto colocado, um é norte-americano, o mexicano Marco Antonio Rodríguez, e um é sul-americano, o argentino Néstor Pitana, décimo.

A escolha da IFFHS é realizada a partir da análise de especialistas de 55 países.

Confira os 10 melhores árbitros do ano, segundo a IFFHS:

1. Nicola Rizzoli (Itália) 131 pontos
2. Howard Webb (Inglaterra) 78
3. Felix Brych (Alemanha) 61
4. Bjorn Kuipers (Holanda) 45
5. Ravshan Irmatov (Uzbequistão) 37
6. Pedro Proença (Portugal) 34
7. Carlos Velasco Carballo (Espanha) 16
8. Marco Antonio Rodríguez (México) 13
9. Cunyet Cakir (Turquia) 13
10. Néstor Pitana (Argentina) 7

Fonte: ESPN

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