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Alvo das crianças, Daronco dá brindes personalizados

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O gaúcho Anderson Daronco, 34, é árbitro da Fifa. Natural de Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul, tem como ídolos Carlos Eugênio Simon e Leonardo Gaciba, hoje comentaristas de arbitragem. É professor de educação física, mas se dedica exclusivamente ao ofício dos gramados. Reconhece que a vida de árbitro não é fácil, mas diz que na rua, as mensagens de carinho do público são surpreendentes.

Para atender aos fãs, principalmente as crianças, preparou até alguns brindes personalizados, como chaveiros com cartões amarelo e vermelhos, além moedas personalizadas, as mesmas que utiliza no sorteio dos jogos.

Para ele, no Brasil, o trabalho do árbitro não é entendido em sua essência.

“É preciso que as pessoas não se prendam apenas naquela questão passional do momento do jogo. Nem sempre ela é racional, mas sim de paixão. Isso acaba ‘criminalizando’ a figura do árbitro. Nós queremos acertar, acima de tudo. Uma hora ou outra cometemos falhas”, diz ele.

Daronco admite que os árbitros entram em campo pressionados. Ele explica que não diretamente por parte do comando da arbitragem, mas sim pelo contexto em que o futebol está inserido.

“A minha escala depende da minha boa atuação. Se for uma atuação ruim, o meu nome acaba exposto de maneira negativa. Não quero ficar marcado por prejudicar o trabalho de alguém, mesmo que seja de forma involuntária. É uma pressão involuntária, até inconsciente, que muitas vezes nós mesmos colocamos sobre nós próprios”.

O juiz se diz fã da arbitragem brasileira e diz que nenhum campeonato do mundo submete o juiz ao tipo de cobrança que existe no Brasil. “Minha opinião vai parecer corporativista, mas eu sou fã da arbitragem brasileira. Existe uma diferença cultural. No Brasil, o árbitro tem de cuidar de 500 coisas além de apitar o jogo dentro das quatro linhas”.

Extra-campo

Ele explica: “tem de estar preocupado com o comportamento dos maqueiros, do banco de suplentes, tem que se preocupar com o comportamento da conduta antidesportiva dos gandulas, coisas assim. Eu estou citando situações que a gente não deveria estar preocupado. O jogador sul-americano, em vez de tentar vencer uma jogada, prefere cair, buscar o cai-cai, um agarra-agarra dentro da área. Tem a questão da simulação. Reclamações sucessivas para atormentar os árbitros para daqui a pouco ter uma situação favorável no lance seguinte”.

Na sua opinião, isso não se percebe por exemplo em campeonatos europeus.

“Você vai perceber isso em uma ou outra partida. É claro que os caras não são santos. Eles aprontam lá também. Mas a nossa arbitragem é preparada para lidar com tudo isso. Na Europa, o árbitro pode viver exclusivamente da arbitragem. A gente ouve de dirigentes, de treinadores, que precisamos mudar. Mas a gente sabe que isso é só da boca para fora. Eles não movem uma palha para fazer essa mudança”.

Daronco explica que o ideal seria se os árbitros pudessem viver exclusivamente do ofício. “Com essa segurança, se eu sou designado para uma partida daqui a uma semana, vou estudar esse jogo. Vou estudar os jogadores, o sistema tático das equipes. Vou ter a oportunidade de visualizar dois, três jogos destas equipes para saber como ela se comportou taticamente, como os jogadores se comportaram no aspecto disciplinar”, afirma.

Porém, na prática, a situação é bastante diferente. “Tem árbitro que apita um jogo no domingo e na segunda-feira de manhã, às 8h, tem de estar no serviço dele. Tem de cumprir 8 horas diárias. Então é difícil. Por isso é que eu falo que sou fã da arbitragem brasileira. Se colocar um árbitro lá na Premier League (liga inglesa), por exemplo, o cara vai chegar e apitar o jogo tranquilamente. Agora se trouxer um de lá sem avisar ninguém e colocá-lo para apitar um jogo daqui, ele não vai conseguir terminar os jogos. Aqui é preciso matar um leão por jogo”.

Fonte: UOL

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