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Archive for junho \16\UTC 2016

Del Nero é condenado a pagar R$ 300 mil a ex-árbitro Wagner Tardelli por “Caso Madonna”

wagnertardelliA juíza Maria Cristina Barros Gutiérrez Slaibi, da 3ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro, condenou o presidente da CBF, Marco Pólo Del Nero, a indenizar por danos morais, no valor de R$ 300 mil, o ex-árbitro de futebol Wagner Tardelli. De acordo com a decisão, o árbitro moveu a ação pela falsa acusação de manipulação do resultado de jogos e corrupção, que provocaram seu afastamento da partida final do Campeonato Brasileiro de 2008.

“O valor fixado a titulo de indenização pelos danos morais sofridos pelo autor, R$300 mil, também levou em consideração que o autor, isento de qualquer conduta culposa, teve seu nome, sua imagem, sua honra e sua dignidade, abalados em âmbito nacional e internacional”, relata a magistrada.

Segundo os autos, a falsa acusação foi feita na época em que Marco Pólo Del Nero ocupava a presidência da Federação Paulista de Futebol. Em telefonema ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol e, em seguida, repassada ao presidente da Comissão de Arbitragem, o atual presidente da CBF teria informado que, na véspera da partida final do campeonato, foi comunicado pela secretária da presidência da federação que o São Paulo Futebol Clube tentara encaminhar envelope fechado ao árbitro Wagner Tardelli.

Fonte: Terra

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Jamir Carlos Garcez assume presidência da ANAF

jamir2-226x300O ex-árbitro e atual presidente do Sindicato dos Árbitros do Distrito Federal, Jamir Carlos Garcez, assumiu a presidência da ANAF. O presidente Marco Antônio Martins licenciou-se do cargo para disputar a eleição como candidato a Vereador pelo PCdoB em Florianópolis (SC).

Jamir reuniu-se com o diretor da ANAF, Carlos Alberto Nunes Castro (RS), avaliando o prosseguimento das ações da diretoria para o fortalecimento da entidade.

Jamir Carlos Garcez participa da ANAF desde 1994 e na atual gestão ocupa a Vice-Presidência da Região Centro-Oeste. Nascido em 4 de dezembro de 1961, em Luiziânia (Goias), trabalha desde 1998 na Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal como coordenador do Programa Esporte a Meia Noite, um projeto que objetiva tirar jovens das drogas, em uma idade vulnerável, oferecendo atividades como basquete, futebol, e a meia-noite um lanche para os participantes.

Também é gerente de esportes da Associação dos Empregados da Companha energética de Brasilia.

Formado em educação física pela Faculdade Dom Bosco, com pós graduação em treinamento esportivo e fisiologia do esforço pela Universidade Gama Filho do Rio.

Presidente pelo segundo mandato do sindicato dos árbitros do DF.

No esporte olímpico, representou o Brasil em competições internacionais de atletismo, como meio fundista. Ingressou na arbitragem em 1988 e foi arbitro da CBF de 97 a 2006, apitando jogos importantes no Brasil e no exterior.

É instrutor físico e técnico, inspetor, delegado especial e assessor de árbitros da CBF no Distrito Federal.

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Fonte: ANAF

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Blatter diz que sorteios na UEFA foram direcionados

Joseph Blatter adimitiu que bolinha “quentes e frias” eram usadas para determinar sorteios.

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Sepp Blatter, como também era conhecido o ex-presidente da Fifa e ex-secretário geral da Uefa, sugeriu que os sorteios da Uefa (Confederação Europeia de Futebol) eram fraudados, em entrevista ao jornal argentino La Nación: “técnicamente pode ser feito, mas nunca aconteceu na Fifa”. Blatter admitiu que bolinhas “quentes e frias” foram usadas para sortear partidas da Uefa durante a presidencias de Michel Platini.

La Nación: O sorteio para a Copa do Mundo no Brazil em 2014 beneficiou muito a Argentina. Circula por aí que se Gronodona e Blatter estivessem brigados, a Argentina pegaria um grupo difícil no sorteio, caso contrário o sorteio seria mais favorável.

Blatter: Só havia uma única pessoa com este poder na Europa. Artemio Franchi (ex-presidente da Uefa) costumava fazer isso no torneios de clubes. O sorteio foi limpo. Nunca toquei nas bolinhas, coisa que outros já fizeram. Claro que as bolinhas podem estar quentes ou frias e serem usadas como um sinal.

La Nación: Então, a teoria das bolinhas quentes e frias é real.

Blatter: Claro, é possível, tecnicamente. Não aconteceu na Fifa, mas eu testemunhei sorteios na Europa que aconteceram, mas nunca na Fifa. Claro que pode ser feito, mas nunca aconteceu sob minha tutela, nunca.

La Nación: Como funciona exatamente?

Blatter: As bolas são resfriadas em um freezer antes do sorteio e, ao menor toque, voce pode sentir que as bolas estão quentes ou frias. Pelo toque voce saberia o que fazer.

Fonte: AS (Espanha)

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Após tiros, várzea registra três casos de agressão contra árbitros

Mesmo juiz foi vítima de violência duas vezes no domingo, em campo de Mauá.

O campo do São João, em Mauá, testemunhou no domingo (12/06) uma das cenas mais tristes da história do futebol amador do ABCD. O árbitro Eraldo Holanda foi espancado em jogo que abriu a rodada tripla e ainda levou um pontapé na partida de fundo, o que apenas confirmou que a violência não está controlada na várzea local. Há cerca de um mês, o ABCD MAIOR relatou disparo de tiros em duelo pela Divisão Especial, entre Colônia e Vera Cruz. Para completar o domingo infeliz para os homens do apito, só que em Santo André, um colega de trabalho de Eraldo caiu no chão depois de ser vítima de um soco no confronto Lua Nova e Mocidade, pela 1ª Divisão.

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Pela Especial de Mauá, Santa Rosa e Pedreirinha jogaram pelas oitavas de final. O empate era do Santa Rosa e o placar apontava o 1 a 1. Eraldo Holanda deu seis minutos de acréscimo no segundo tempo, mas logo no primeiro minuto Beto fez o gol da classificação do Pedreirinha. Inconformados, os jogadores e o técnico do Santa, Diego, partiram para cima do árbitro, sem piedade. Foram socos, pontapés e “voadoras”, conforme o juiz relatou na súmula. A violência física só parou quando o elenco do Pedreirinha protegeu o agredido, levando-o para perto de sua torcida.

Eraldo Holanda na delegacia.

Eraldo Holanda na delegacia.

Nesta segunda-feira (13/06), Eraldo fez um B.O. citando cinco atletas do Santa Rosa, entre eles o goleiro Padre, e Diego. Com o caso indo para a esfera civil, os suspeitos vão responder por agressão. Com dores no corpo, Eraldo Holanda passou no IML (Instituto Médico Legal).

Como se não bastasse, a rodada tripla no São João continuou normalmente e seria finalizada com o jogo entre São João e Guapituba, pela Série Ouro – divisão de acesso da cidade. Mas, aos 37 minutos do primeiro tempo, o treinador do São João, conhecido como Lírio, desferiu pontapé contra o mesmo Eraldo, que imediatamente finalizou a partida.

Procurado pela reportagem, o presidente da Liga Mauaense de Futebol Amador, Aparecido Vicente Dias, o Tchaca, disse que a entidade divulgará uma posição nesta terça-feira (14/06). Em nota, o Santa Rosa, um dos envolvidos, pediu desculpas pelo ocorrido.

HISTÓRICO

A Liga e o próprio Tchaca sofrem grande pressão pela impunidade com os agressores, vide o caso Colônia e Vera Cruz. Depois de briga dentro de campo, a confusão foi para o lado de fora e até tiros acabaram sendo disparados. Porém, o tribunal desportivo da Liga puniu os infratores apenas com uma multa, causando a ira de muitos.

Entre as pessoas que militam na várzea de Mauá, o sentimento é que a violência aumentou desde a absolvição do Dínamo, depois de o presidente Marcelo Araújo, o Topeira, perder a cabeça e agredir o árbitro. A Liga Mauaense rebaixou a equipe em 2015, mas o TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) reverteu a decisão.

“As diretorias têm que fazer um trabalho de conscientização, como vamos ser responsáveis por um técnico que chuta o árbitro quando o jogo está 0 a 0?”, resigna-se Tchaca. “Fomos orientados pela Federação para não fazer a eliminação direta e levar a julgamento, para dar direito ao contraditório”, completou o dirigente, justificando o caso recente – dos tiros. Para ele, a legislação esportiva dá brechas e não permite à Liga dar punição mais forte aos times.

SANTO ANDRÉ

Pela 1ª Divisão de Santo André, Mocidade e Lua Nova faziam partida tranquila no campo do Humaitá, mas um lance isolado deixou uma marca negativa. No fim do primeiro tempo, Willian Almeida agrediu o juiz Alexandre Bigai após ser expulso. Flagra do fotógrafo Fernando Rafael, do Diário da Várzea, mostra o árbitro ajoelhado no chão. O jogador pode ser suspenso por até 720 dias.

Também em Santo André, não sobrou para o árbitro, mas houve briga generalizada no clássico entre Vila Sá e Guaraciaba no Nacional, com torcedores entrando em confronto.

*com informações de Marcelo Mendez

Fonte: ABCD Maior

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Palmeirense Dudu é condenado a pagar R$ 25 mil para Ceretta

Confusão na decisão do Campeonato Paulista de 2015 tem novo capítulo, desta vez na Justiça Comum. Atacante do Palmeiras é condenado por danos morais.

A final do Campeonato Paulista de 2015 parece ainda não ter terminado para o ex-árbitro Guilherme Ceretta de Lima e para o atacante Dudu, do Palmeiras. Em decisão em primeira instância, a juíza Graziela Gomes dos Santos Biazzim, da 2ª Vara Cível de Votorantim, deu parecer favorável ao ex-árbitro em ação movida contra o jogador por danos morais, após um empurrão sofrido por Ceretta na partida decisiva contra o Santos, na Vila Belmiro. O atacante terá que pagar R$ 25 mil, além de arcar com os custos de todo o processo. Ainda cabe recurso para o jogador do Palmeiras.

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GloboEsporte.com teve acesso ao processo. Na decisão, a juíza afirmou: “A agressão física, como também os xingamentos, não foram genéricos ou corriqueiros, como quer fazer crer a parte contrária. Ao contrário, foram dirigidos diretamente ao autor, enquanto árbitro da partida, sendo que, posteriormente, tais fatos acabaram sendo divulgados pela mídia social; o que, de certa forma, veio a agravar a situação ocorrida, tornando-se mundialmente conhecidas as ofensas praticadas pelo réu. Com sua conduta, o réu não só deixou de respeitar a ética e as regras do futebol – tanto é que foi punido pela Justiça Desportiva -, bem como veio a ofender a imagem e a honra do requerente, que apenas fazia cumprir as regras do jogo em questão, ultrapassando, assim, o grau de mero desentendimento, este, de certa forma, comum em partidas de futebol, onde os ânimos se exaltam pela própria dinâmica da disputa. Mas os excessos não podem ser admitidos.
Ponderando-se todos os fatores explicitados, conclui-se que a quantia de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) mostra-se razoável para atender o binômio reparação-reprimenda.”

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A decisão é em primeira instância e cabe recurso ao jogador do Palmeiras. Nenhum dos dois envolvidos estiveram presentes em ação conciliatória, realizada no início de maio.

Entenda o caso

A confusão entre os dois começou quando Dudu empurrou o árbitro pelas costas, após ter sido expulso em lance com Geuvânio, do Santos, em partida válida pela segunda final do Paulistão. Na ocasião, o atacante do Palmeiras acabou punido pelo Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Futebol com 180 dias de suspensão por agressão.

Meses depois, porém, o Palmeiras conseguiu reduzir a punição do atacante para seis jogos, o que causou revolta em Ceretta. Depois do episódio, o árbitro entrou com a ação na Justiça Comum.

Pouco utilizado na última temporada – após a final do Paulistão, ele apitou apenas uma partida no Campeonato Brasileiro –, Guilherme Ceretta de Lima deixou o quadro da CBF ao não participar de testes periódicos. No fim do ano, anunciou que não apitaria mais no Brasil e partiu rumo aos Estados Unidos para trabalhar como treinador de uma escolinha de futebol, não descartando investir na carreira de árbitro no país.

Fonte: Globo Esporte

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Federação Paulista lança Programa de Excelência da Arbitragem Feminina

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A Federação Paulista de Futebol lançou na semana passada (02/06) o “Programa de Excelência da Arbitragem Feminina”, com o objetivo de aprimorar ainda mais a qualidade da arbitragem. Com palestras, atividades práticas e psicológicas, o programa é pioneiro no futebol nacional.

Na sede da FPF foi realizada a reunião técnica para apresentação do programa. A partir da próxima semana se iniciam os treinamentos físicos e teóricos com trabalho em conjunto entre o Departamento de Arbitragem e o Departamento de Desenvolvimento da Arbitragem para que os trabalhos sejam individualizados.

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Ednilson Corona, presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, falou dos ganhos com o programa. “A gente entende que tudo que está sendo realizado vai beneficiar a arbitragem feminina. A ideia de reunir todas as mulheres junto com todos os profissionais que envolvem o quadro da arbitragem é um ganho enorme. Elas terão parâmetros na parte física, técnica com avaliações teóricas e no trabalho de campo a partir da próxima terça-feira (7), com um trabalho individualizado para que possam ser feitas correções pontuais visando a evolução”, explicou.

Corona também falou da preocupação em introduzir cada vez mais as mulheres no futebol masculino. “Entendemos que a arbitragem feminina precisa evoluir constantemente. Sabemos que elas têm uma dificuldade maior em relação às provas. É uma preocupação da FPF em valorizar o futebol feminino e a arbitragem feminina. Não vamos medir esforços para que possamos ter um quadro forte, competente e atuando também nas competições profissionais masculinas”, concluiu.

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Fonte: FPF

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Após 23 anos, José Aparecido conta segredo e admite erro na final de 93

Quase 23 anos se passaram desde um dos jogos mais marcantes da história de Palmeiras x Corinthians. A (segunda) final do Campeonato Paulista de 1993 e a goleada de 4 a 0 sobre o maior rival certamente não saem da cabeça dos torcedores alviverdes, da mesma forma que quase todos os corintianos que acompanharam a partida ainda questionam a polêmica arbitragem de José Aparecido de Oliveira, apontado como um dos ‘culpados’ pelo título palmeirense.

Depois de o Corinthians vencer o Palmeiras por 1 a 0 no jogo de ida, com direito a imitação de porco de Viola, os times voltaram a se enfrentar no dia 12 de junho de 1993, no estádio do Morumbi. O time de Luxemburgo precisava vencer para levar a decisão para a prorrogação, e Zinho tratou de colocar o Palmeiras na frente aos 36min do primeiro tempo. E ainda antes do intervalo, um lance entre Edmundo e Paulo Sérgio marcou a carreira de José Aparecido.

“Provavelmente eu poderia ter expulsado (o Edmundo) se eu tivesse visto a falta num outro ângulo”

Edmundo partiu para cima do corintiano, perdeu a bola e, ao tentar recuperá-la, deu um carrinho violento em Paulo Sérgio na lateral, bem na frente de Oscar Roberto Godói, que estava como um dos assistentes da partida. Os corintianos pediram a expulsão do “Animal”, mas José Aparecido mostrou cartão amarelo. Edmundo continuou em campo e foi importante no jogo, provocando as expulsões do goleiro Ronaldo e do meio-campista Ezequiel e sofrendo um pênalti na prorrogação – cobrado por Evair e que praticamente garantiu o título alviverde.

Mais de 20 anos depois da histórica decisão no Morumbi, José Aparecido analisa o lance de outra forma. Ele admite o erro e reconhece, após ter visto o lance na TV por diversas vezes (e em outros ângulos), que Edmundo merecia ter recebido o vermelho. “Provavelmente eu poderia ter expulsado se eu tivesse visto a falta num outro ângulo, se eu tivesse visto o lance, tivesse no ângulo que me permitisse ver a expressão do Edmundo, da entrada que ele deu no Paulo Sérgio”, afirma o árbitro José Aparecido em entrevista exclusiva ao UOL Esporte na semana que antecede o mesmo clássico que será disputado pela primeira vez, desde então também no Dia dos Namorados.

“Eu não tenho nada contra o Corinthians, é um time que eu até admiro bastante, os meus dois filhos são corintianos doentes”

A arbitragem do confronto mudou totalmente a vida de José Aparecido. Acusado de ‘roubo’ pelos corintianos, chegou até a ser ameaçado por torcedores e fez a família mudar de cidade nos dias que sucederam a partida. Em sua defesa, José Aparecido, hoje analisando tudo com mais calma, dá nota “7,5 a 8” para a sua arbitragem. “Os principais jogos que o Corinthians deveria ganhar para avançar às vezes perdia, e tinham que achar um culpado”, diz o ex-árbitro, que está com 64 anos, é advogado e, quando pequeno, sonhava ser goleiro.

José Aparecido x Corinthians

“Eu tive alguns problemas com os corintianos, mas eu sempre fiz questão de falar assim: ‘o Corinthians foi um dos times que mais ganhou comigo apitando’. O que aconteceu com o Corinthians e comigo é o que vem acontecendo agora: ganha, ganha, ganha e o jogo que precisa ganhar não ganha, aí alguém era culpado. Os principais jogos, que provavelmente o Corinthians deveria ganhar para avançar, ele, às vezes, perdia e tinham que achar um culpado. Eu não tenho nada contra o Corinthians, é um time que eu até admiro bastante, os meus dois filhos são corintianos doentes, doentes mesmo de ter chaveiro, boné, camisa, toalha… Algumas pessoas que passaram pelo Corinthians acharam que eu era o culpado. Ninguém chega a apitar várias finais que eu apitei, semifinal de Libertadores, eliminatórias de Copa do Mundo, sendo um péssimo árbitro. Agora, você condenar e colocar a responsabilidade de um jogo, de um título, em cima de uma pessoa, por um erro ou por dois erros, aí eu acho demais”.

“Uma coisa que alavancou a minha carreira é que eu nunca tive medo de nada”

Qual o time de José Aparecido?

“Eu não torço para ninguém. Na realidade acho que isso de torcer para um clube já vem de berço. Quando a pessoa nasce, o cara que é corintiano, por exemplo, de pequenino já compra a camisa do Corinthians, boné do Corinthians para o filho acompanhar ele… Eu não, eu sou do interior de Taquaritinga, vim da roça junto do meu pai e da minha mãe, e meu pai detestava futebol, minha mãe idem, então eu aprendi a gostar de futebol jogando nos campos de várzea. O time que eu ia torcer lá da segunda divisão era o CAT, Clube Atlético Taquaritinga. Em 1978 eu vim de Taquaritinga para São Paulo e em 80 eu comecei a fazer curso de árbitro, então eu não tive nenhuma afinidade com clube grande. Para se ter uma ideia, nem rádio na minha casa eu tinha, então meu vínculo com o futebol foi nos campos de várzea… E depois que eu comecei a acompanhar direitinho, quando eu vim para São Paulo, só depois que eu estava há dois anos em São Paulo é que eu fui fazer o curso de árbitro”.

“Acho o Neto hoje um excelente comentarista. É muito corajoso para dizer o que pensa. Ele teve a grandeza e a humildade de reconhecer que errou”

De goleiro da várzea a árbitro

“Tem uma coisa que eu nunca falei… Quando eu jogava futebol eu era goleiro, eu achava que seria famoso algum dia, entendeu? Eu tive uma experiência que eu passei no Guarani com o treinador Zé Duarte… Em 1970 para 71 eu fiz um estágio no Guarani de Campinas, e eu fiquei lá seis meses. Aí a minha mãe não deixou eu continuar com o futebol, fez com que eu voltasse para Taquaritinga e isso me frustrou. Depois eu fui embora para Fernandópolis, acabei jogando no Fernandópolis duas temporadas na segunda divisão. Depois eu fui para São Paulo e não deu para mim no futebol, eu já estava com a idade bem avançada e eu resolvi, como muitos jogadores, indo para a arbitragem. Então, como jogador eu achava que ia chegar, mas como árbitro não. Acabou sendo por acaso, sendo o inverso, e fiquei conhecido como árbitro”.

Pego de surpresa para apitar decisão

“O marco desta decisão foi o fato de eu ser pego de surpresa pra apitar o jogo. Não foi por sorteio, a semana toda tudo indicava – inclusive eu mesmo achava – que seria o Oscar Godoy que ia apitar. O primeiro jogo quem apitou foi o Dionísio Roberto Domingos, e eu achava que era o Godoy que ia apitar porque eu já havia apitado a final de 90 e a de 91. Em 93, em função do primeiro jogo, aquela presepada que o Viola fez de imitar o porco, o jogo ficou tido como jogo de risco, e como eu era um árbitro disciplinador, a FPF [Federação Paulista de Futebol] entendeu que eu era o árbitro que deveria apitar o jogo. A comissão de arbitragem da FPF era composta pelo Emídio Marques de Mesquita, Reinaldo [Carneiro Bastos] e pelo Gustavo [Caetano Rogério] se eu me lembro bem”.

“Eu fiquei sabendo que ia apitar a decisão no dia do jogo, entre 10h30 e 11 horas da manhã. Eu estava na sexta-feira, dia 11 de junho, na FPF, aí recebi um telefonema da minha ex-esposa dizendo que a comissão de arbitragem havia ligado na minha casa, que era para descobrir onde eu estava para eu ir embora para casa descansar e que no outro dia, dia 12 de junho, eu tinha que comparecer no restaurante. No outro dia fui para o restaurante, e lá fiquei sabendo que ia apitar. Eu fiquei muito feliz. Uma coisa que alavancou a minha carreira é que eu nunca tive medo de nada, então esse negócio de ficar ligando para o que vai acontecer e tal… Pelo contrário, me deixa mais aceso [risos]. Então nesta decisão não houve nem tempo para pressão”.

O polêmico carrinho de Edmundo

“Se eu tivesse visto o lance, tivesse no ângulo que me permitisse ver a expressão do Edmundo da entrada que ele deu no Paulo Sérgio… Porque quando o Edmundo deu a voadora ele estava de costas para mim… O que acontece? Todas as vezes que você vai marcar uma falta de um jogador, você não pode ver só a falta, porque, às vezes, ele não comete a falta, mas ele tem a intenção de cometer, e a lei é bem clara nisso, tendo ou não a intenção é falta. Então eu só vi o lance e o lance foi de frente para o Godói. Nós tivemos um agravante a mais porque o Paulo Sergio era um jogador que toda falta que sofria ele era espalhafatoso, como muitos fazem até hoje para ver se o árbitro expulsa ou se dá cartão amarelo. E ele era um cara conhecido por agir dessa maneira, então o Paulo Sérgio quis valorizar a entrada que o Edmundo deu nele. Então provavelmente eu poderia ter expulsado se eu tivesse visto a falta num outro ângulo”.

Godói poderia ter ajudado?

“Hoje o assistente tem praticamente por obrigação ajudar o árbitro, na época não era o caso. Por outro lado o Godói teve um respeito muito grande comigo, como eu teria com ele, porque a gente estava no mesmo nível, os dois eram árbitros da Fifa…  E eu olhei para ele e ele só balançou a cabeça, o que ele quis dizer ao balançar a cabeça? Não pegou, e não pegou mesmo, não atingiu o Paulo Sergio… Então, com este gesto da cabeça dele de que não atingiu, me levou a não expulsar, eu entendi que o cartão vermelho seria muito grave ali”.

Sem clima para o dia dos namorados

“Quando eu cheguei em casa não tinha clima para nada, diante das circunstâncias do jogo não tinha clima pra nada. A minha ex não era muito fã de futebol… tanto eu ir bem como mal no jogo para ela era a mesma coisa. E a gente nem falou em namorar porque eu cheguei em casa mais de 9 horas da noite, eu tive que ficar no Morumbi, no vestiário, preso lá, e tive que sair escoltado. Saí de lá com o Morumbi praticamente vazio, então quando eu cheguei em casa só foi o tempo para tomar banho, jantar e dormir”.

Ameaças graves e problema de saúde

jose-aparecido“Eu sofri várias ameaças. A minha família teve que sair de São Paulo pelo menos por uns dez dias, teve que viajar, porque causava medo, sabe? Tem louco aí para tudo, então deixou a gente um pouco assustado. Eu tive respaldo não só da FPF como também do banco Banespa… Eles ameaçavam via telefone, falavam: ‘a gente vai te matar, a gente vai explodir o banco, você vai ver a hora que você sair daí, na hora que você for almoçar’. Eu precisei andar vários dias com segurança, ligavam à noite… Encontrava com uns torcedores meio exaltados, eles falavam um monte de palavrão. Às vezes eu ia ao restaurante e era até obrigado a sair porque o cara te incomodava… Foram essas coisas que acabaram deixando a gente insatisfeito, então pelo menos uns dois a três meses eu sofri muito. No primeiro momento essas coisas não me afetaram profissionalmente, mas depois o que eu tive sim, eu tive problemas de saúde, entendeu? Fui fazer exames de rotina e detectou um câncer no estômago, tive que fazer cirurgia, quimioterapia e, consequentemente, tive que me afastar do futebol para me tratar. E quando eu quis praticamente já tinha 45 anos, aí não tive mais como apitar. Hoje graças a Deus está tudo sob controle na questão da saúde”.

Filho de José Aparecido estava no Morumbi

“Meu filho tinha 19 anos, o Fúlvio, ele estava no estádio, a minha filha Luzia Cristina, não… O meu filho, com relação ao futebol, ainda que eu tivesse errado em alguma coisa, nunca falou: ‘pai você errou, você acertou’. O meu filho não se identifica para ninguém como meu filho, é dele isso, entendeu? Como ele sabe que tem críticas a favor e contra ele fica blindado”.

A cusparada de Neto, o perdão e o reencontro

neto-cuspiu-jose-aparecido-1991“A notoriedade do José Aparecido, tem que deixar bem claro isso… Ela nasceu no dia 13 de outubro de 1991. Foi quando eu tomei uma cusparada do Neto, em jogo dos mesmos times: Corinthians x Palmeiras. Ali eu ganhei notoriedade, e aí eu fui tido como árbitro polêmico, um árbitro disciplinador. A decisão de 93 foi mais um e só isso”.

“Eu fiquei triste, mas em nenhum momento passou pela minha cabeça reagir. Eu já havia presenciado e já tinha visto atos de alguns jogadores com aquela atitude de cuspir ou no adversário ou no árbitro. E porque eu perdoo o Neto? Dentro de um jogo de futebol você pode esperar tudo de um jogador, dependendo da temperatura dele, do temperamento dele, e até hoje o Neto mesmo fala que se ele tivesse a cabeça que tem hoje, jogando a bola que ele jogava, ele estaria lá na Europa. Então aquilo lá foi um ato do jogo, eu sempre soube que dentro de uma partida de futebol tudo poderia acontecer, e o único que tinha que ter o equilíbrio seria eu. Na realidade foi uma surpresa para mim, uma surpresa para a imprensa e uma surpresa para o público”.

“Posteriormente ele se encontrou comigo, pediu desculpas, eu não tenho nada contra ele, Acho ele hoje um excelente comentarista, ele fala o que o torcedor, o que o povo quer ouvir, é muito corajoso para dizer o que pensa, coisas que poucos têm. Ele teve a grandeza e a humildade de reconhecer que errou… Pediu desculpas e a vida segue”.

Apitar hoje é mais difícil…

É mais difícil apitar hoje. Antes você tinha uma câmera de TV, então os erros não apareciam. Quando eu comecei a apitar já tinham 18 câmeras, hoje devem ter 30, qualquer um vai errar, não tem como você não errar. Quem gosta de criticar é quem está fora, é diferente de quem está dentro. O ser humano erra, por natureza.

Fonte: UOL

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