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Retorno do árbitro de gol e força-tarefa para ‘apagar incêndios’ no Carioca mudam a rotina na pré-temporada dos árbitros do Rio

O Campeonato Carioca deste ano, que começou na última quarta-feira, está diferente. E essas mudanças estão pautando a pré-temporada dos árbitros. Concentrados desde o início da semana no Centro de Desenvolvimento de Voleibol, em Saquarema, no litoral do estado, 71 árbitros e assistentes estão revisando conceitos e aprendendo mais sobre o novo formato do Estadual e a volta de recursos como o árbitro assistente adicional, o famoso árbitro de gol.

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Implantado de forma pioneira pela FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) em 2008, o uso do assistente adicional chegou a ser aprovado pela FIFA e adotado pela CBF. Mas acabou sendo abandonado no Estadual por questões financeiras.

“Como era um recurso oneroso, os times pequenos fizeram pressão e a FERJ abriu mão desses assistentes. Mas como neste ano, a despesa de arbitragem desses clubes será paga pela Federação, conseguimos trazê-los de volta. E a CBF já está planejando fazer a mesma coisa no Campeonato Brasileiro”, diz Jorge Rabello, presidente da COAF-RJ (Comissão de Arbitragem do Futebol do Rio de Janeiro).

“O assistente adicional não serve apenas para verificar se a bola entrou mesmo no gol. Ele também ajuda a flagrar situações como um contato físico próximo à linha da grande área, inibe o agarra-agarra na área pela sua simples presença. Se houvesse um profissional desses naquele jogo em que a França se garantiu na Copa do Mundo de 2010 com o gol feito após um passe de mão do Thierry Henry, esse gol não teria sido validado”, ressalta.

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Esse é o 6º ano em que a FERJ promove a pré-temporada dos árbitros em Saquarema, a um custo de R$ 150 mil. As atividades são desenvolvidas em três turnos, com trabalhos de campo na parte da manhã e da tarde, e análise de vídeos e palestras à noite.

Desta vez, um drone foi utilizado para filmar os trabalhos de campo, gerando material para ser analisado na sequência pelos próprios alunos.

Outra inovação no Carioca deste ano será a atuação do Grupo de Gerenciamento de Problemas. Composta pelo presidente da Comissão de Arbitragem da FERJ, pelo coordenador da Comissão de Ensino, pelos oito integrantes da equipe de instrutores da instituição e pelos departamentos de comunicação e de vídeo da Federação, a equipe promete debater os lances mais polêmicos de cada rodada e apresentar, até 10h da manhã do dia útil seguinte, um posicionamento oficial para a comunidade do futebol.

“Por meio de vídeo, vamos divulgar o que essa comissão entendeu sobre determinado lance polêmico e se considerou que houve erro ou não da arbitragem. Se tiver havido, vamos nos desculpar e encaminhar um ofício às equipes envolvidas reconhecendo esse erro. Não haverá mudanças nos resultados de campo, mas se percebermos, por exemplo, que o árbitro ou o auxiliar não estava posicionado da maneira correta para analisar determinada jogada, ele pode até vir a ser afastado”, garante Rabello.

Outra dificuldade para a arbitragem será a mudança do formato da competição este ano. A fim de enxugar a disputa, a FERJ está promovendo um hexagonal preliminar, com os dois times que subiram da série B na última temporada (Nova Iguaçu e Campos) e os quatro pior colocados no Carioca de 2016 (Tigres, Cabofriense, Portuguesa e Bonsucesso).

Essa preliminar classifica dois clubes, que vão disputar as Taças Guanabara e Rio. Diferente de outros anos, os vencedores da cada um desses títulos garantirá vaga automática na final, e sim na semifinal, que também será disputada pelos dois times de melhor campanha.

Além disso, a renovação dos contratos de televisão injetou mais recursos financeiros nos clubes pequenos, que estão se reforçando com treinadores renomados, como Joel Santana (Boavista), Renê Simões (Macaé) e PC Gusmão (Madureira).

“Esse novo formato pode fazer com que haja até 16 clássicos no Estadual, sendo 10 decisivos”, calcula Rabello.

“Além disso, tudo leva a crer que haverá muito equilíbrio entre os clubes, com partidas muito disputadas, o que representa uma grande dificuldade para a arbitragem na tentativa de não interferir no resultado. Esse ano podemos ter um caso Leicester em função do trabalho que tem sido feito”, completa.

Como em outros anos, a pré-temporada da arbitragem do Carioca contou com um convidado especial. Desta vez, coube a Manoel Serapião Filho, responsável pelo programa de implantação da tecnologia de vídeo da CBF, mostrar aos alunos as mudanças mais recentes nas regras do futebol. Além disso, foi inevitável matar a curiosidade sobre os trabalhos de implementação do árbitro de vídeo no futebol brasileiro.

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“Falamos bastante sobre o polêmico lance na final do último Mundial de Clubes e mostramos quais seriam os limites dos árbitros de vídeo. Não é algo que faça parte da realidade dos campeonatos estaduais, mas como ainda vai impactar muito no futebol, acho que precisamos discutir o tema o máximo possível”, disse Serapião, que se mostrou muito otimista sobre o retorno do árbitro assistente adicional ao Campeonato Brasileiro.

“Teremos que fazer uma cruzada imediata para não incorremos nos mesmos erros de antes. Queremos investir em maior treinamento, priorizar quem já tenha mais experiência com esse tipo de trabalho, reforçar a importância do uso de uma linguagem mais direta e objetiva na comunicação com o juiz e cuidar também do lado psicológico desses assistentes. Assim, poderemos ter um resultado muito positivo”, torceu.

Sobre o polêmico caso envolvendo o assistente adicional Rodrigo Castanheira, que não validou gol marcado pelo Vasco sobre o Flamengo em 2014.

“Até essa partida, a FERJ já tinha usado assistente adicional em nada menos do que 1.060 jogos. E naquele mesmo dia, houve outro lance muito difícil que o adicional acertou. Ou seja, os números mostram o uso desse profissional ajuda muito mais do que atrapalha no trabalho da arbitragem”, diz, ressaltando ainda o trabalho de renovação que vem sendo feito nos quadros de arbitragem da federação.

“Nos últimos anos, a renovação foi de 82%, com a idade média caindo de 40 para 33 anos. E temos três árbitros Fifa, além de cinco aspirantes, resultado do trabalho que vem sendo feito para, no fim das contas, incrementar o futebol como um todo”, salienta.

A pré-temporada dos árbitros terminou na últim sexta-feira. Como o hexagonal preliminar começou na quarta, 12 dos 71 árbitros e assistentes precisaram deixar a concentração no meio da semana. Mas retornaram para participar do encerramento das atividades.

Fonte: ESPN

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