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Lugar de mulher é também na arbitragem

Mineiras driblam preconceito e se destacam no cenário nacional, mas elas ainda querem chegar mais longe na profissão.

mulheres-mineiras

Francielly Fernanda, Riane Clementino, Jessica Silva e Andreza Siqueira apitaram a final da Taça das Favelas Minas.

As mulheres estão cada vez mais presentes na arbitragem brasileira. E as mineiras têm mostrado serviço e se destacado no cenário nacional. O Estado, junto com Santa Catarina, é o segundo que mais possui representantes no quadro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF): são sete. São Paulo lidera com 11. O número de Minas é maior quando consideradas todas as inscritas na Federação Mineira de Futebol (FMF), totalizando 13, com uma delas também fazendo parte do quadro da Fifa.

As “donas do apito” na terra do pão de queijo querem mais: chegar ao quadro da Fifa, trabalhar em grandes competições, como a Copa do Mundo de Futebol Feminino, e se consolidar, de vez, nos jogos do masculino, trabalhando nas principais partidas da elite.

O sonho parece um pouco distante e difícil de ser alcançado. No entanto, para essas bandeiras e árbitras parece não haver limites. Elas já passaram por problemas de aceitação, falta de estrutura, violência e preconceito para chegar ao patamar em que estão.

A assistente mais gabaritada na Federação Mineira é Helen Aparecida Araújo. Ela é aspirante Fifa e a única do quadro a estar presente na elite do futebol mineiro. Ela já bandeirou em dois jogos do Estadual: Atlético e América-TO, no Independência, e Cruzeiro e Tricordiano, no Mineirão. O caminho para chegar aonde está hoje não foi fácil.

“A gente escuta muitas brincadeiras (preconceituosas), mas não me sinto atingida. Da mesma forma que xingam as mulheres, xingam os homens de outras coisas. O grande calcanhar de aquiles é ter que passar no teste masculino, que é complicado. Há poucas mulheres atuando por causa disso. Tem que ter muita dedicação e gostar muito”, afirma.

Vaga na elite

A também assistente Grazielle Maia Santos é do quadro da CBF. Sem ainda ter sido aprovada no teste masculino, ela viaja Brasil afora bandeirando Brasileiro e Copa do Brasil femininos, categorias de base estaduais e nacionais, além do Módulo II do Mineiro. O sonho de se tornar uma bandeira da elite do futebol é acompanhado pela realidade do crescimento da arbitragem feminina.

“Tenho muita vontade de passar no teste masculino e trabalhar no Brasileiro da Série A e no Módulo I. É o objetivo de toda menina na arbitragem. Atualmente, a arbitragem feminina está numa crescente, estamos trabalhando muito pra chegar a um patamar de excelência”, declara.

Bozzano projeta em 2020 ter uma árbitra no Mineiro.

Bozzano projeta em 2020 ter uma árbitra no Mineiro.

‘Meu trabalho está sendo reconhecido’, afirma árbitra-revelação

A árbitra Francielly Fernanda de Castro está no começo de sua carreira. Considerada uma revelação da arbitragem, ela apita desde os 15 anos. Aos 19, e com dois anos de Federação Mineira, a jovem conta com orgulho sobre os jogos que já apitou, com destaque para o jogo-treino profissional masculino entre Atlético e Coimbra, na Cidade do Galo.

“Comecei a apitar com 15 anos. Fico feliz (por ser vista como revelação). Isso mostra que meu trabalho está sendo reconhecido e que um dia vai ser recompensado. Hoje, todo o quadro feminino da Federação tem um suporte excelente da Comissão de Arbitragem. Temos uma aspirante Fifa, várias assistentes CBF, e isso mostra o tanto que a arbitragem feminina de Minas está crescendo”, analisa.

Por conta da violência e do preconceito, Francielly já pensou em desistir, mas a paixão pelo apito e a vontade de seguir em frente em busca de seus sonhos falaram mais alto.

“Antes de ir para Federação, eu fui agredida em uma partida masculina no adulto, tomei um soco no rosto. E sempre tem o preconceito. Voltei a apitar um mês depois. Dá vontade de desistir, pois fica aquele medo de ter que escutar as piadinhas e de apanhar de novo. Mas, graças a Deus, não desisti. Fiquei chateada e com vontade de parar, mas isso serviu pra continuar com mais força em busca daquilo que eu quero, que é entrar no quadro internacional da Fifa, apitar uma Copa do Mundo feminina e atuar em grandes jogos do masculino no Brasil todo”, anseia.

Elite masculina só em três anos

Enquanto as bandeiras vêm consolidando-se no futebol masculino, as árbitras mineiras ainda terão um longo caminho a percorrer. Segundo Giuliano Bozzano, chefe da arbitragem da FMF, a projeção é que uma mulher só será dona do apito em uma partida do Campeonato Mineiro masculino do Módulo I em 2020.

“Ainda não temos uma árbitra preparada. Elas estão ainda em categorias inferiores. Alcançando o índice físico masculino, que é um pouco mais rigoroso, elas terão a oportunidade de atuar no Módulo I. Eu acredito e espero que em dois ou três anos, lá em 2020, possamos estrear uma árbitra no Módulo I”, cogita.

Fonte: O Tempo

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