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Treino de cérebro e zelo na rede social. Árbitros são moldados contra erros

Uma infinidade de câmeras de televisão, pressão da torcida e jogadores à beira de um ataque de nervos. Não tem sido fácil a vida dos profissionais de arbitragem no país. E, enquanto os recursos de vídeo ainda não são oficialmente implementados, cabe às novas gerações de juízes encararem uma preparação digna de batalha. Hoje, a Federação Paulista de Futebol aposta em frentes diversas para minimizar a ocorrência de erros, com uma formação que vai além da parte técnica e física

A escola da entidade considera os elementos modernos de pressão para moldar psicologicamente os jovens árbitros. Essa nova preparação contempla treinos mentais, orientação gestual e técnicas de respiração. De quebra, os formadores também sugerem um código de comportamento social – mais especificamente, na vida online.

Em fevereiro deste ano, o árbitro Thiago Duarte Peixoto cometeu um erro grotesco, ao expulsar o corintiano Gabriel no clássico contra o Palmeiras. Na verdade, foi Maycon que cometeu a falta no palmeirense Keno no lance em questão. O equívoco provocou o afastamento do juiz e colocou a categoria em cheque. Evitar este tipo de deslize é um dos objetivos da metodologia da FPF na formação de novos homens do apito.

A reportagem do UOL conversou com dois jovens juízes e com Carlos Augusto Nogueira Júnior, diretor da escola de arbitragem da FPF, para conhecer como se preparam os novos homens (e mulheres) do apito.

Carlos Nogueira Jr, diretor da escola de árbitros da FPF

“O erro é inerente à atividade. Neste aspecto psicológico, a Dra. Marcia Minópole tem trabalhado muito é a questão da atenção, porque tem que estar atento focado e concentrado durante os 90 minutos, o que não é fácil. Tem exercícios que ela passa para os árbitros, e também para os alunos, para que eles busquem a concentração durante a partida. Por exemplo, a respiração no momento em que a bola parou. No momento em que a bola parou, que a bola saiu para escanteio, antes de reiniciar o jogo é o momento que o árbitro tem para respirar, oxigenar e preparar para o cérebro ativar novamente”.

“Hoje em dia uma coisa que a gente está se preocupando muito e vai ser bastante falado no curso é o aspecto pessoal, de mídia sociais, porque eles acabam se tornando pessoas públicas. Desde que saia uma escala futuramente desse aluno, e o nome desse árbitro sai numa escala, acaba se tornando público. Então existem os cuidados que eles têm que ter com a própria imagem, além também dos conhecimentos teóricos”.

“Na televisão muitas pessoas estão observando aquele gesto e analisando aquele árbitro pelo gesto que ele está fazendo. Então se aquilo for uma coisa agressiva ele vai criar um preconceito. Às vezes não só o que ele está mostrando com o corpo pode ser uma coisa que precisa ser trabalhado, tem que entender isso. Hoje a inteligência emocional é tão importante quanto os outros o técnico e o físico”.

“Eu acredito na forma física porque o jogo está exigindo isso, a carreira está exigindo isso. Hoje, um árbitro sem condicionamento físico não apita em alto nível, não atua em alto nível. Hoje, um assistente que não consegue dar tiro de corrida acima de 30 km por hora, por exemplo, não atua num campeonato profissional com qualidade”.

Lucas Bellote, árbitro e personal trainer, 26 anos

“A Federação Paulista nos fornece um pilar mental como suporte, e técnico também. Eu realizo um trabalho mental e individualizado em Piracicaba, semanalmente, e isso dá um total suporte para que a gente venha a experimentar novos desafios na arbitragem: jogos com imprensa, jogos com time grande, clássicos, jogos que tenha torcida. A gente vai tendo a experimentações desses desafios gradativamente. Então a FPF vai colocando desde o sub-11, depois o sub-13, sub-15 pra que a gente vá se ambientando em cada competição e vá ganhando cancha, vai ganhando experiência para que se junte todas essas informações como suporte técnico, físico e mental”.

“Este ano eu estreei no jogo na Arena Corinthians, Corinthians x Santo André, e acabou culminando nos 2 a 0 para o Santo André, a única derrota do Corinthians. Eu estava como quarto árbitro, foi um jogo com uma experiência bem bacana devido a esses desafios que eu falei: estádio grande, com torcida de um time grande. Mas eu acredito que foi a semifinal da Copa São Paulo deste ano que eu acabei arbitrando, foi uma experiência bem legal, diante de 18 mil pessoas, transmissão do SporTV, minha família me assistindo. Então esse foi o grande desafio que eu tive até o momento na carreira, o jogo entre Batatais e Paulista”.

Daniel Serrano, árbitro e educador físico, 30 anos

“Vamos contar que eu trabalhe um jogo por semana pela Federação Paulista. Eu vou treinar mais três vezes na semana pelo menos. Não tenho problema nenhum, pelo contrário, sou muito bem preparado fisicamente, é um dos pontos fortes da minha arbitragem. O controle emocional é outra coisa importante que eles falam desde a época de escola, porque o árbitro sofre pressão. Para mim, a maior pressão que o árbitro sofre é dos jogadores, então tem que saber lidar com a pressão dos jogadores, saber lidar de forma educada. O segundo tipo de pressão que o árbitro sofre hoje em dia é da mídia, por conta da cobertura, muitas câmeras. Para isso eu faço um preparo psicológico. Fiz pós-graduação em psicologia do esporte, e além disso a gente tem o aporte da psicóloga da FPF. Converso bastante com ela, faço treinamentos mentais antes das partidas, além do estudo do jogo”.

“Estou no processo de mudança de sair de jogos que antes ninguém via e agora muitas pessoas veem. Tenho feito trabalho psicológico para eu conseguir me controlar, penso que está dando certo. Além da preparação para o jogo também tem o preparo mental pós-jogo, porque dependendo de como foi a minha atuação eu vou ficar de um jeito, daí eu vou me cobrar”.

Como virar um árbitro em São Paulo

Tudo começa com uma pré-seleção, quando a FPF abre inscrições com um edital em seu site oficial, através do pagamento de uma taxa de R$ 100. Em seguida, os candidatos fazem uma prova de triagem, com perguntas sobre conhecimentos gerais, língua portuguesa e conhecimentos a respeito de futebol (não exatamente regras de jogo). A partir daí 110 aspirantes a juízes são selecionados para cumprir o curso, que tem duração de aproximadamente um ano.

“Este ano, em torno de 370 candidatos fizeram a pré-inscrição, mas apenas 170 pagaram efetivamente para fazer a prova. Só que nós temos 110 vagas, então nós vamos divulgar esta listagem completa e, teoricamente, os 110 primeiros têm o direito a se matricular”, conta Carlos Augusto Nogueira Júnior, da escola da Federação Paulista.

Fonte: UOL Esportes

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Categorias:Notícia
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  1. 24/04/2017 às 17:34

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