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Árbitros pré-selecionados para Copa 2014 visitam Zico

Cinquenta e dois profissionais escolhidos pela Fifa participam de preparação física e técnica no clube do ex-camisa 10 do Flamengo.

Participando de um seminário de preparação, 52 árbitros pré-selecionados para a Copa do Mundo de 2014 visitaram, nesta segunda-feira, o Centro de Treinamentos do CFZ, clube do ex-jogador Zico, no Recreio, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Na cidade, onde permanecem até sexta-feira, eles passarão por testes físicos, técnicos e acompanharão seminários de arbitragem.

No CFZ, eles encontraram Zico e posaram para fotos com o ex-craque do Flamengo.

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– Não tive muitos problemas com árbitros ao longo da minha carreira. Quando fui punido, foi porque mereci (risos). É uma honra recebe-los no CFZ – disse Zico.

Dentre os 52 árbitros pré-selecionados para a Copa, dois são brasileiros: o brasiliense Sandro Meira Ricci e o gaúcho Héber Roberto Lopes. Árbitro da decisão da última Copa do Mundo e figurinha carimbada dos grandes jogos do futebol europeu, o inglês Howard Webb também está no Rio de Janeiro. O ex-árbitro italiano Massimo Busacca é o orientador.

A Fifa não divulgou a relação dos 52 árbitros que estão no Brasil, mas confirmou que eles vêm de 46 países diferentes. Ainda não há uma data para a confirmação dos escolhidos. Não há um número exato de vagas, mas a entidade trabalha com algo entorno de 30 nomes, assim como foi na África do Sul, em 2010.

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Fonte: Globo Esporte

FIFA divulga lista de árbitros pré-selecionados para Copa 2014

A FIFA, entidade que rege o futebol mundial e organizadora da Copa do Mundo, divulgou ontem (26/03) uma lista de árbitros e assistente pré-selecionados para a competição de 2014 no Brasil. A entidade pré-selecionou 52 árbitros para a Copa, com suas respectivas duplas de assistentes. Ao todo são 156 nomes que estão sob constantes avaliações e treinamentos para a definição final dos convocados. A lista ainda será reduzida a 30 árbitros para o Mundial.

Alessandro Matos, Sandro Ricci e Emerson Carvalho.

Alessandro Matos, Sandro Ricci e Emerson Carvalho.

Na lista figuram 3 árbitros brasileiros. São o árbitro mineiro Sandro Meira Ricci, e entre os assistentes estão o paulista Emerson de Carvalho e o baiano Alessandro Rocha Matos. Ricci, embora mineiro de nascimento, atuava pela Federação do Distrito Federal e recentemente se mudou para a Federação Pernambucana.

Ricci tem sido cotado há anos como um dos destaques nacionais, mas apenas figurou na lista da FIFA após o paulista Wilson Seneme – número um da escolha – e o gaúcho Leandro Vuaden terem reprovado nos exigentes testes físicos da entidade internacional. O paranaense Héber Roberto Lopes seria o suplente de Ricci, caso este seja reprovado. Lopes foi outro árbitro que migrou de estado, saindo do Paraná para Santa Catarina.

Confira a lista oficial aqui.

Árbitros brasileiros sofrem em teste e correm para não ficar fora da Copa

O Brasil, por ser país-sede, está garantido na Copa-14 sem necessidade alguma de participar de eliminatórias. Quando o assunto é arbitragem, porém, não há nenhuma certeza de que haverá um trio brasileiro entre os 32 que apitarão o Mundial.

O primeiro derrotado pelos testes físicos da Fifa foi o paulista Wilson Luiz Seneme, de 42 anos. O segundo foi o gaúcho Leandro Paulo Vuaden. A esperança e a responsabilidade estão com o mineiro Sandro Meira Ricci, da federação pernambucana, que será avaliado em abril, em Assunção, no Paraguai.

Ricci pega pesado na preparação para estar em forma na hora do teste. A participação do Brasil no quadro da arbitragem no Mundial em casa depende dele. Os próprios assistentes, que já passaram nos testes, dependem dele. Só em trio o país pode ter representantes na Copa.

E a parte física é o que mais dificulta aos árbitros brasileiros. Mesmo entre os mais celebrados. Seneme é muito respeitado entre seus colegas. Guilherme Ceretta de Lima, também árbitro paulista, conta que há um neologismo criado para definir o seu estilo. “Ele está sempre em cima do lance e sabe se impor aos jogadores. Quando um árbitro faz tudo certo, a gente diz que ele senemeou naquele jogo, é como se o cara tivesse gabaritado em um vestibular”.

O reconhecimento é o que sobrou para Seneme, que não passou nos testes para 2014 e não terá outra oportunidade de apitar um Mundial, pois a Fifa limita a 45 anos a idade de seus árbitros. “Não tenho nada que reclamar. Sempre soube como seriam os testes e sempre soube que, se não passasse, ficaria de fora. Não houve supresas”, diz, antes de lamentar a falta de profissionalização da arbitragem brasileira.

“Sou funcionário público estadual aqui em São Carlos, cuido da organização de Jogos Abertos e Jogos Regionais. Não é possível me dedicar apenas à arbitragem, não fiz uma preparação física ideal. Teria de ter começado aos 30 anos para passar agora, com 42. Pelo menos, fui reprovado na pista e não no campo”, diz.

O teste não é fácil. Os árbitros precisam dar 20 tiros de 150 metros em 30 segundos cada um. Após um tiro, eles caminham mais 50 metros para o local da nova largada. Também tem 30 segundos para caminhar esses 50 metros. Então, se fazem um tiro de 150 metros em 25 segundos, passam a ter cinco segundos a mais de descanso. Independentemente de conhecimentos técnicos, Usain Bolt seria aprovado com louvor.

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Seneme, não. No primeiro teste, realizado em setembro de 2011 em Zurique, na Suíça, ele deu apenas um tiro. “Estava sofrendo de fascite plantar, dores na sola do pé e fui reprovado. Em janeiro de 2012, em Assunção, consegui dar 12 tiros e parei. O teste é muito duro. É mais difícil do que para se manter no quadro da Fifa, que tem um descanso de 35 segundos, que ajuda muito”, diz o árbitro.

Vuaden, que era o “reserva” de Seneme, também foi reprovado. Já os bandeirinhas Emerson Augusto de Carvalho e Alessandro Rocha foram aprovados. “Para mim, foi fácil. Fiz mais do que era necessário”, diz Emerson Augusto de Carvalho. Ele se refere a 40 tiros de 75 metros, em 15 segundos cada um, no máximo. O descanso entre um tiro e outro é de 20 segundos.

Nem sempre os testes foram tão duros. Até 2002, os árbitros selecionados precisavam dar dois tiros de 150 metros, com 35 segundos de descanso e, em seguida, submeter-se ao teste de Cooper, correndo no mínimo 2.700 metros em 12 minutos. Em 2004, Angel Maria Villar, presidente da federação espanhola de futebol, assumiu a arbitragem da Fifa e pediu ao belga Werner Ialsen que mudasse os testes. E, para as Copas de 2006 e 2010, os árbitros selecionados tiveram de dar 24 tiros de 150 metros, com um descanso de 35 segundos para caminhar os 50 metros.

Agora, em 2014, a quantidade de os tiros e de descanso diminuíram. Ao contrário do que possa parecer, ficou mais difícil. “São menos tiros, mas o descanso é bem menor. Esses cinco segundos a menos são terríveis”, afirma Seneme.

A escolha dos árbitros brasileiros para a Copa não passa pela CBF. “A Fifa decide tudo, ela nem nos consulta”, diz Aristeu Fagundes, ex-presidente da comissão de arbitragem, que deixou o no final de fevereiro de 2013, e, que que, como assistente, participou da Copa de 2006.

EX-ÁRBITRO CARLOS EUGÊNIO SIMON PASSARIA “COM O PÉ NAS COSTAS”

simon_copaO gaúcho Carlos Eugênio Simon foi o escolhido pela FIFA para representar a arbitragem brasileira nas últimas três Copas. E considera inadmissível uma reprovação. “Olha, eu tenho 47 anos e passo nesses testes da FIFA. Sempre passei. Se a idade permitisse eu continuava apitando e disputaria com os outros para disputar outra Copa”.

Para ele, a força de vontade é fundamental. “Eu falei com o Vuaden que teria de fazer os três últimos anos valerem 30 e conseguir a vaga. É uma coisa que vale para sempre. Não adianta dizer que foi bom, que apitou aqui e ali. O que vale é a Copa. Antes de mim, só 12 brasileiros tiveram essa chance. É algo que fica para sempre, mas tem se deixar de lado a cervejinha, o salgadinho, a fritura, não pode ser sedentário, tem de treinar todo dia, tem de amar a carreira. Eu fiz tudo isso e tem idiota que diz que sou político. Isso não adianta, a FIFA e que manda”.

Para Simon, os árbitros sul-americanos são menos determinados. “Outro dia, o Pierluigi Colina (árbitro italiano que apitou a final da Copa de 2002 e a final da Olimpíada de 1996) me disse que a taxa de reprovação na Europa é zero por cento. Só na América é que tem esse choro. O teste é duro? É, mas se você quer entrar na história, tem de trabalhar bastante”.

“Não posso dizer que me sinto triste porque dois árbitros nossos já foram eliminados, porque assumi em agosto de 2012 e não posso ser responsabilizado. O que eu sei é que a partir de 2013 todo árbitro brasileiro convidado para um curso, um congresso ou um torneio fora do país só comparece se for aprovado em um simulado realizado por aqui”.

Aristeu explica que, mesmo que Sandro Meira Ricci ou Heber Roberto Lopes, seu reserva, forem aprovados, não é certeza de participação brasileira. “São aprovados 54 trios, que passam por análises detalhadas em quatro competições (Mundial sub-17, Mundial sub-20, Mundial Interclubes e Copa das Confederações). Só então, são definidos. Há uma tendência de o país-sede ser contemplado, mas não há uma certeza”.

Paulo Camello é designado pela CBF para acompanhar o trabalho dos árbitros. “Os árbitros selecionados pela Fifa para fazer os testes recebem um caderno de encargos para se prepararem. Há uma série de exercícios que devem fazer antes dos testes e também de competições. Não deu certo para o Seneme e para o Vuaden e eu sofri muito com eles. Fizemos de tudo, mas como não há profissionalização no Brasil, os árbitros precisam se virar, precisam buscar um tempo extra para treinar. Fica na mão deles. O Sandro Meira Ricci está seguindo tudo o que a Fifa pede e ainda contratou um profissional particular muito bom. Ele vai passar”, afirmou.

Enquanto se prepara para o teste, Sandro Meira Ricci é proibido de dar entrevistas. Aristeu permitiu – antes de sair do cargo – apenas que Roberto Patu, seu preparador físico, falasse com a reportagem. “O Sandro vai passar fácil. Ele não começou seu trabalho agora, temos uma parceria que começou há três anos, quando tinha algumas lesões. Hoje, além de árbitro, ele é um atleta”, afirmou Patu.

A preparação física de Sandro Meira Ricci

ricci_003Sandro tem 38 anos e se submete a uma dura rotina de testes. “Ele trabalha seis vezes por semana, sendo que nós consideramos um dia de jogo como dia de trabalho. O trabalho diário é feito pela manhã ou no final da tarde e visa conseguir resistência aeróbia, anaeróbia lática, anaeróbica analática, potência e agilidade”, explicou  o preparador físico Roberto Patu.

Na prática, são corridas. Cíclicas e acíclicas. “Nós alternamos tiros de 10, 30 e 50 metros com tiros rápidos de um minuto ou dois minutos. Em outros dias, ele faz uma corrida longa de 30 ou 40 minutos. Também há exercícios de salto e para aumentar a força”.

Só isso? Não, tem mais. Ricci vai à academia três vezes por semana para exercícios de musculação. Tem acompanhamento de uma nutricionista e se submete à dieta de 2500 calorias diárias. “Está tudo sobre controle. Nos últimos três anos,ele nunca teve taxa de gordura acima de 10% e a Fifa permite 12%. Ele vai arrebentar nos testes de abril”, afirma Patu. Se conseguir, será o 14º Arbitro brasileiro a participar de um mundial.

Fonte: UOL

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Simon: “Chegar à Copa é o maior sonho, mas árbitro não é jogador frustrado”

Presente em três Mundiais, o gaúcho fala da dificuldade para atingir o objetivo, reafirma o amor à atividade, admite erros e defende a profissionalização da arbitragem.

Quando o mundo se rendia à Seleção Espanhola na África do Sul, em 2010, o coração de Carlos Eugênio Simon doía um pouco. Afinal, ele chegou a ser cotado para apitar a final, e isso não ocorreu. Mas o gaúcho da cidade de Braga tinha outros motivos para comemorar: encerrava ali uma trajetória histórica. Simon é o árbitro brasileiro recordista em participações em Mundiais: tem no currículo três Copas do Mundo (2002, 2006 e 2010).

Histórias não faltam a quem teve de advertir David Beckham por jogar no chão uma bandeirinha de escanteio durante partida no Japão, passou aperto de perder o ônibus para a preparação física na Alemanha e teve de ser revistado antes de um jogo que poderia ser alvo de Osama Bin Laden, na África do Sul.

Com 27 anos de carreira, Simon afirma que começou por acaso e repudia a visão de que juiz é jogador frustrado. Nessa entrevista ao Portal da Copa, fala do amor à atividade, admite erros e defende a profissionalização do que considera o lado mais fraco do futebol. Atualmente trabalhando como comentarista de televisão, ele mostra outra visão do esporte: a de quem comanda o jogo e está sempre no centro de críticas e polêmicas, mas é peça igualmente necessária.

Confira os principais trechos:

Início ao acaso
Eu morava no interior e queria ser jogador de futebol. Quando cheguei a Porto Alegre, com 17 para 18 anos, até fiz testes no Grêmio, no Internacional, mas é muito difícil chegar e entrar direto com essa idade. Depois tentei outras equipes, consegui, mas como trabalhava e estudava, deixei o futebol de lado.

No primeiro ano do segundo grau, em 1984, teve um campeonato organizado pelo grêmio estudantil e minha equipe saiu da competição. Só que não tinha quem apitasse a decisão. Sugeriram meu nome e acabei aceitando. Foi um sábado pela manhã, fiz o cartão amarelo de papelão, o cartão vermelho de papelão e apitei, com os conhecimentos mínimos que tinha.

O professor de educação física Luiz Cunha Martins, na época árbitro da federação gaúcha e da CBF, veio atrás de mim e disse: “Simon, vi você apitando e você leva jeito. Por que não faz um curso na federação?” Fiz. Isso me permitiu apitar em Porto Alegre e na região metropolitana. Em 1986, fiz outro curso para apitar em todo o estado. E de lá para cá não parei mais.

Estudo, trabalho e arbitragem
Fiz vestibular para jornalismo, entrei na faculdade em 1988 e me formei em 1992. Foi difícil conciliar, porque eu trabalhava, estudava e apitava, e isso me custou vários anos da minha juventude. Às vezes saía para apitar no interior do estado na sexta e só voltava na segunda. Fiquei anos no futebol amador, de 1984 a 1990. Isso me deu uma experiência boa. O futebol amador é aguerrido, disputado, o árbitro tem que ter muito jogo de cintura.

Primeiras competições importantes
Em 1991 comecei a apitar o campeonato gaúcho. Apitava segunda divisão, depois primeira e comecei a crescer Na arbitragem. Eu levava vantagem porque gostava de jogar futebol. Eu evitava conflito com jogador, levava na boa, conversava, não dava bola para as questões pequenas. O árbitro tem que se preocupar com as questões grandes e com as médias. Não tem que entrar em campo de lupa, não tem que procurar pelo em ovo. Essas coisas pequenas têm que passar batido.

Árbitro FIFA
Em 1995, fui nomeado árbitro aspirante à FIFA e fui convidado para apitar o campeonato paulista. Em 1997, consegui atingir o quadro da FIFA. Mas aí já estava apitando no Brasil todo, decisão de campeonatos regionais. Apitei minha primeira final de Brasileiro em 1998. Foram dois dos três jogos: a primeira partida de Cruzeiro e Corinthians no Mineirão e depois o terceiro jogo no Morumbi. Isso me deu projeção nacional.

Aí comecei a me preparar melhor. Fui deixando meus empregos e só continuei na TV Guaíba, em Porto Alegre, no programa Pergunte ao Simon. As pessoas faziam perguntas e eu respondia uma vez por semana, para manter um salário. A partir de 2000 não dava mais. Fui apitar a Olimpíada na Austrália, já era requisitado no Brasil e no exterior e passei a viver praticamente da arbitragem.

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Copa 2002 – Coreia do Sul e Japão
Naquela época havia grandes árbitros: o Antônio Pereira, o Oscar Godói, era uma disputa fraterna. Eu era o mais jovem, mas até pelo meu desempenho na Olimpíada veio o convite. Aí fui chamado para participar dessa maravilha que é a Copa do Mundo, que para o árbitro também é o maior sonho.

A Copa é o evento máximo, você está lá representando o país. Deixa de ser o Simon do Rio Grande do Sul, passa a ser o Carlos Simon do Brasil.

Quando está tocando o hino dos países, naqueles segundos que antecedem o jogo, passa um filme da sua vida: saí lá do Braga e hoje estou aqui no centro mundial do futebol, e milhões de pessoas estão assistindo. A responsabilidade de comandar o jogo é tua.

E logo a primeira partida foi um clássico europeu: Inglaterra 1 x 1 Suécia, um negócio de louco. Teve uma cena engraçada. O Beckham foi bater escanteio, tirou a bandeirinha e colocou no chão. Não pode! Aí fui lá e adverti o Beckham e pedi para ele colocar de volta. Os marmanjos vieram falar que afinei para o Beckham e as moças reclamaram. O importante é lembrar que a regra é igual, não interessa valores que eles recebem nem as potências que estão ali. Você está ali para apitar a regra.

Depois apitei Itália 1 x 1 México… Até essa Copa a FIFA tinha uma regra que se seu país passasse de fase, você voltava pra casa. Mas tive a felicidade de ficar e acompanhar até o final da competição, embora o Brasil tenha chegado à final. Foi um orgulho enorme.

Novas exigências
A FIFA mudou tudo em 2004. A comissão de arbitragem, os testes. Foi um processo mais difícil. Começou a exigir conhecimento de outro idioma e é difícil papagaio velho aprender a falar. Cheguei a ficar um mês em Toronto para estudar focado nas regras do jogo. A FIFA preparou uma prova, com 25 questões em Inglês, eu acertei as 25. A exigência física aumentou muito, o árbitro tinha que ser atleta. Tive que treinar muito.

Copa 2006 – Alemanha
A idade já começava a cobrar, mas com sacrifício passei nas provas. Nessa Copa, fui acompanhado do Aristeu Leonardo Tavares e do Edimilson Corona, porque o árbitro passou a indicar os assistentes, antigamente era a confederação que indicava. Se um assistente não passa no teste físico, o trio está fora, então é uma responsabilidade imensa. Mas os dois passaram e fomos.

A pontualidade e o preciosismo dos alemães chamaram a atenção. Teve um episódio interessante. Fazíamos aulas com psicólogos das 8h às 8h45 e, na sequência, saía o ônibus para o treinamento físico. Um dia atrasou um pouco a aula. Aí, quando a gente chegou ao hotel procurando o ônibus, ele já tinha saído. Foi com um cara só. Perguntaram para o motorista e ele falou: “Disseram que era para sair 9h e eu saí”. Aí teve reunião e sobrou para os psicólogos, porque lá horário é horário.

Apitei Itália 2 x 0 Gana, Espanha 3 x 1 Tunísia, e uma partida de oitavas de final no estádio mais bonito que conheci até hoje (Allianz Arena, em Munique): Alemanha 2 x 0 Suécia. Deu um frio na barriga, era a poderosa Alemanha, ainda marquei um pênalti contra a Alemanha, mas faz parte. Você tem que saber da sua responsabilidade.

Copa 2010 – África do Sul
Eu já tinha 44 anos. O corpo cobrava ainda mais. A FIFA pré-selecionou dois, eu e o Sálvio Fagundes. Aí teve aquela competição toda, teste físico, teórico. Fui apitar o Mundial de Clubes de 2009, apitei jogo do Barcelona e fui apitando jogos decisivos. Fiquei no olho do furacão.

O pessoal só vê os tombos que você leva, não vê as pingas que você toma. Mas fui trabalhando com respeito, sabendo as minhas responsabilidades, debatendo o futebol, tomando posição. Isso tudo pesa nesse contexto. Aí acabei indo para a Copa de 2010, minha última.

Apitamos dois jogos – eu, Altemir Hausmann e Roberto Braatz –, que foram Inglaterra 1 x 1 Estados Unidos e Alemanha 1 x 0 Gana. Esse primeiro foi um jogo em que havia temor no ar, porque o Osama Bin Laden chegou a ameaçar jogar uma bomba no estádio. Eram duas potências inimigas dele reunidas. Foi a primeira vez que fomos vistoriados. Cruzei com o vice-presidente dos EUA no corredor. Com o bom trabalho, fomos inclusive cotados para a final. Acabamos não apitando, ficou um pouquinho de frustração, mas foi um Mundial muito bom.

Satisfação
São indescritíveis os momentos que você vive, o que o fato de ser árbitro de futebol te proporciona. Não tem nada a ver essa história de que árbitro é jogador frustrado. Tentei ser jogador, não deu, mas fui árbitro e tive uma carreira vitoriosa. Sempre entrei em campo com paixão e sempre desfrutava muito. E ser árbitro te possibilita estar em campo com um Messi, um Ronaldo Nazário, um Zidane, um Romário, os grandes astros.

Fim da carreira
Terminei a carreira no fim de 2010. Eu tinha 45 anos, idade-limite para árbitro da FIFA. Apitei a final da Copa do Brasil ente Santos e Vitória, a final da Supercopa (Estudiantes x LDU) na Argentina e o jogo decisivo do Brasileiro, entre Fluminense e Guarani. Não apitei a final da Sul-americana porque tinha equipe brasileira envolvida e a final da Libertadores também. Então veja, você terminar uma carreira com 1.198 jogos apitando três decisões, podendo apitar cinco, realmente é um orgulho enorme.

Profissionalização
Sempre fui defensor fervoroso da profissionalização da arbitragem. É um absurdo que no futebol – que envolve milhões e milhões de dólares – o lado mais fraco seja o árbitro. E no Brasil ainda tem o sorteio. Sou totalmente contra. Acho que tem que ser bancada a responsabilidade da indicação. A aprovação na Câmara da regulamentação da profissão do árbitro é o primeiro passo (o projeto ainda volta ao Senado). É inadmissível que o árbitro ainda seja uma figura amadora, embora seja cobrado como profissional.

É fundamental dar apoio e incentivar o árbitro, porque não é fácil. O torcedor não quer saber se o árbitro é jornalista, advogado ou desempregado. O torcedor quer saber por que ele não deu aquele pênalti, porque não marcou o impedimento.

Erros
Se voltasse atrás, claro que mudaria atitudes. A falibilidade faz parte do ser humano. Já reconheci erros publicamente, mas toda profissão está sujeita a erro. Perfeito só o patrão lá de cima. O árbitro é o lado mais fraco da engrenagem do futebol, então é muito mais fácil o dirigente, o técnico colocar a culpa na arbitragem, a imprensa também. A crítica é muito maior. Quem defende o árbitro? Só a família dele.

Tecnologias no futebol
Sou favorável às tecnologias que já existem até agora: a bandeira eletrônica, o ponto eletrônico, o placar eletrônico dos acréscimos e agora a tecnologia da linha do gol – ou a bola com o chip ou a outra das câmeras – desde que seja 100% confiável e instantânea. Se foi gol, tem que ser dado. Humanamente é impossível ver. O árbitro ou o assistente não têm essa percepção.

Quanto à questão de você olhar no vídeo e tomar decisão, não sou favorável. Aconteceu comigo: jogo decisivo, em 2008, valia vaga na Libertadores, Cruzeiro x Flamengo. O Diego Tardelli do Flamengo pisa na bola e cai aos 93 minutos na área. O zagueiro do Cruzeiro, Fortunato, não encosta nele. Pelas câmeras de televisão, era pênalti. Eu não dei o pênalti. Ele pisou na bola e caiu, eu estava a três metros do lance. O jogo foi 3 x 2 para o Cruzeiro. E a emissora não tinha essa imagem.

No dia seguinte, outra emissora mostrou um ângulo invertido. E aquela imagem mostrava. Imagina se eu paro o jogo para olhar no monitor e vejo que é pênalti. No dia seguinte, olho outro ângulo e vejo que não é. Não dá. E, mesmo assim, olhando outros lances, para mim é pênalti, para ti não é. Quando é matéria interpretativa, não tem que ter tecnologia, tem que ficar a critério do árbitro.

Visão de comentarista
Sou jornalista, pós-graduado em Educação Física e tive vivência de 27 anos como árbitro, o que me dá essa condição. Evidentemente estou aprendendo com os mais experientes. E quando comento arbitragem, procuro ver o lado do árbitro. Existe o jogo do campo e o jogo da televisão. Tem que comentar o jogo que o telespectador está vendo. Se a televisão mostrou que é pênalti, é pênalti. Por que o árbitro não deu? Aí entra a minha experiência. Ele estava mal posicionado, cansado, fora de forma… sempre com tranquilidade, analisando o lado profissional, jamais o pessoal. Estou adorando a experiência.

Autor: Carol Delmazo
Fonte: Portal da Copa

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Seneme está na lista dos 52 árbitros pré-selecionados para a Copa

25/09/2012 1 comentário

A FIFA divulgou nesta terça-feira a lista com os 52 árbitros pré-selecionados para a Copa do Mundo de 2014, que acontece no Brasil, com um representante do país-sede da competição: o paulista Wilson Luiz Seneme.

Todos participarão de seminário em Zurique até o próximo dia 28. Além do brasileiro, outro nome de destaque na lista é o do inglês Howard Webb, que comandou a decisão da Copa da África do Sul, em 2010, entre Espanha e Holanda.

Além de Seneme, foram pré-selecionados os auxiliares Alessandro Rocha Matos, da Bahia, e Emerson de Carvalho, de São Paulo.

Confira a lista dos 52 árbitros pré-selecionados pela FIFA para a Copa do Mundo de 2014:.

UEFA (19):

Felix Brych (ALE)
Cüneyt Cakir (TUR)
Mark Clattenburg (ING)
Jonas Eriksson (SUE)
Viktor Kassai (HUN)
Pavel Kralovec (RTC)
Bjorn Kuipers (HOL)
Stéphane Lannoy (FRA)
Milorad Mazic (SER)
Svein Oddvar Moen (NOR)
Pedro Proença (POR)
Nicola Rizzoli (ITA)
Gianluca Rocchi (ITA)
Damir Skomina (ESL)
Wolfgang Stark (ALE)
Craig Thomson (ESC)
Alberto Undiano Mallenco (ESP)
Carlos Velasco Carballo (ESP)
Howard Webb (ING)

Conmebol (10):

WILSON LUIZ SENEME (BRA)
Diego Abal (ARG)
Antonio Arias (PAR)
Víctor Carrillo (PER)
Raul Orosco (BOL)
Enrique Osses (CHI)
Wilmar Roldan (COL)
Roberto Silvera (URU)
Juan Soto (VEN)
Carlos Vera (EQU)

Concacaf (7):

Joel Antonio Aguilar Chucas (ESA)
Roberto García Orozco (MEX)
Mark Geiger (EUA)
Walter Alexander López Castellanos (GUA)
Jair Antonio Marrufo (EUA)
Roberto Moreno Salazar (PAN)
Marco Antonio Rodríguez Moreno (MEX)

AFC – Ásia (7):

Ali Hamad Albadwawi (EAU)
Khalil Ibrahim Al-Ghamdi (ARA)
Alireza Faghani (IRI)
Ravshan Irmatov (UZB)
Yuichi Nishimura (JAP)
Nawaf Abdulla Ghayyath Shukralla (BRN)
Benjamin Jon Williams (AUS)

CAF – África (7):

Neant Alioum (CAM)
Daniel Bennett (AFS)
Badara Diatta (SEN)
Noumandiez Desire Doue (COM)
Bakary Papa Gassama (GAM)
Djamel Haimoudi (ALG)
Slim Jedidi (TUN)

OFC – Oceania (2):

Norbert Hauata (TAT)
Peter O’Leary (NZL)

Fonte: UOL

Árbitros brasileiros nas Eliminatórias da Copa 2014

Na próximo dia 7 de setembro, dia da Independência do Brasil, serão realizadas duas partidas válidas pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo 2014, e dois quartetos de arbitragem estão escalados para as partidas.

O confronto Colombia x Uruguai, em Barranquilla,  será apitado por Heber Roberto Lopes (PR), que contará com Dibert Pedrosa Moisés (RJ) e Marcelo Carvalho Van Gasse (SP) como assistentes. O quarto árbitro será Paulo Cesar Oliveira (SP). Completam a escala o argentino Juan Carlos Loustau, como inspetor, e o peruano Javier Quintana Arraiza, como comissário.

As seleções de Argentina e Paraguai enfrentam-se em Córdoba. O confronto será apitado por Wilson Luiz Seneme (SP). Os assistentes serão Emerson Augusto de Carvalho (SP) e Alessandro Alvaro Rocha Matos (BA). Sandro Meira Ricci (DF/PE) será o quarto árbitro. Completam a escala Gaston Edmundo Castro Makuc, do Chile, como inspetor e Roger Bello Parada, da Bolívia, como comissário.

O comunicado foi divulgado na última quinta-feira (2 de agosto), pelo chefe das Eliminatórias da Copa do Mundo da FIFA e dos Torneios Olímpicos, Gordon Savic.

Simon presenteia presidente Dilma com seus cartões

O ex-árbitro FIFA, Carlos Eugênio Simon (RS), considerado o árbitro das Copas, é atualmente parte integreante do comitê organizador da Copa do Mundo no Rio Grande Sul. Ontem (30/05), Simon esteve em Brasília para uma reunião importante do calendário da Copa no país, envolvendo autoridades e organizadores. O gaúcho presenteou a presidente do Brasil, Dilma Russef, com um par de cartões amarelo e vermelho autografados, uma das marcas fortes de sua carreira.

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