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Posts Tagged ‘FPF’

Testosterona (por André Kfouri)

A condenação da arbitragem após partidas tumultuadas por quem deveria estar preocupado em jogá-las representa, além de um raciocínio equivocado, a busca por culpados convenientes. É um expediente perverso que não só diminui a perspectiva de solução, como também fermenta o problema que deveria ser combatido. Enquanto árbitros forem responsabilizados por permitir que encontros se descontrolem no aspecto disciplinar, os jogadores que de fato conturbam partidas seguirão à vontade para manter esse comportamento danoso ao futebol. O pior é que o cartão vermelho já se provou ineficiente no contexto mais importante: a ausência de uma ou outra figura exagerada não impede a manutenção do método, pois, mais do que de regras, essa é uma questão de respeito. Ao jogo, aos adversários ocasionais que são colegas de profissão, aos componentes da arbitragem e, acima de tudo, ao público.

Em relação ao público, embora seja desanimador, é preciso dar uma espécie de salto de fé, pois o espetáculo de testosterona que se percebe em jogos mais importantes ou em que há maior rivalidade pode ser precisamente o que se deseja. Como se o espírito intolerante que exige que o “inimigo” seja eliminado, e não apenas vencido, tenha migrado dos setores mais violentos das arquibancadas e se apoderado do gramado, onde se prefere a briga ao jogo. Reclama-se que a conversão do futebolista em profissional do entretenimento o afastou de quem o sustenta, mas as redes antissociais podem ter provocado o caminho inverso: estão mais próximos do que nunca, mais semelhantes em conduta do que jamais foram, pois as fronteiras – de território e modo de vida – não resistem à interação que evidencia um senso de pertencimento que só considera o valor da vitória por qualquer via.

É impossível ser árbitro neste ambiente. O temor de um erro técnico determinante está presente como algo a ser evitado do primeiro ao último apito, exacerbado pelos ângulos da televisão, que exibem o que olhos humanos não são capazes de enxergar. Como tarefa adicional, há que se conter a temperatura de uma arena em que a maioria dos atores não está disposta a colaborar. Ao contrário, condicionar a arbitragem é parte da estratégia de diversas equipes, motivo pelo qual há jogadores que não fazem outra coisa além de pedir cartões amarelos para oponentes. A pressão continua depois do jogo: o árbitro de pouca tolerância que expulsa cedo é rotulado por um caráter policialesco; o paciente, que prefere mediar, é frouxo. Em campo, não há o menor sinal de cooperação. Fora, falta compreensão. Quando se decide que a partida foi corrompida, é mais fácil responsabilizar quem tem de atuar como disciplinador do que notar que o bom andamento das coisas não está nos planos de ninguém.

Isto não é uma defesa intransigente dos árbitros, mas uma censura a essa postura desrespeitosa, geralmente aceita e até aplaudida como resultante do desejo de vencer. Jogadores que não se alistam na guerra são criticados por falta de empenho, numa visão do jogo de futebol como uma luta governada pela noção de que ir ao limite do que é permitido é a obrigação de todos. Mas impor esse limite é a obrigação de um só. A diferença é observada quando as equipes demonstram a intenção primordial de disputar um jogo e vencê-lo pelo balanço de virtudes e defeitos, como Botafogo e Vasco fizeram ontem. O trabalho do árbitro se torna uma anotação ao pé da página, não a manchete sensacionalista que faz dele o réu por não controlar o incontrolável.

SALIVA

Não se perde a chance de deixar o pé mais alto em qualquer dividida, o cotovelo em todas as disputas pelo alto. Nos lances em que se aposta corrida para chegar primeiro, próximos às linhas, o plano quase sempre é jogar o adversário para longe. Mais do que vibrar e babar com esse campeonato de virilidade, há quem ache que futebol é isso.

Fonte: Lance!
Autor: André Kfouri

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Do apito ao pastel

Era uma tarde de calor na cidade de Santos. Na casa de sua noiva, ele estava deitado na rede pensando em tudo que havia passado em 19 anos de profissão. Aposentado à força, por ordem da uma federação que cravou em 45 a idade máxima para ele e seus colegas trabalharem. Foi quando deu um estalo: “Já sei, vou abrir uma pastelaria”. O homem que fez do balanço da rede um divã improvisado é Marcelo Rogério, ex-juiz de futebol. Agora, comerciante na cidade de São Paulo. Mais de 2 mil pastéis vendidos por mês.

Marcelo sempre soube que seria impossível trabalhar apenas como árbitro. No melhor cenário que viveu, apitando jogos da Série A do Campeonato Paulista, ganhava R$ 2.500 por jogo. Com os impostos e a taxa do sindicato, sobravam R$ 1.700 em sua carteira. Mas nenhuma garantia de que a quantia se repetiria na semana seguinte. Era preciso esperar o sorteio das bolinhas e rezar para que o seu nome fosse escolhido. Diante de uma remuneração tão variável, já tinha investido em outros dois negócios: um chaveiro, seu primeiro ganha pão, e um hostel, que abriga estudantes universitários e estrangeiros que acabam de chegar em São Paulo.

Em abril, o ‘Pastel do Juiz’ foi inaugurado no bairro da Vila Mariana, em um imóvel alugado colado aos outros empreendimentos de Marcelo. “Investi R$ 40 mil e já recuperei o valor. Pretendo até abrir outras unidades pela cidade”, revela. Otimismo justificado na ponta do lápis. O ex-juiz vende, em média, 100 pastéis por dia, ao preço de R$ 6 reais cada. E ainda oferece por lá o tradicional caldo de cana, água de coco, sucos e refrigerantes.

A rotina de viagens e concentração em hotéis à espera das partidas não existe mais. Agora, Marcelo passa a manhã no chaveiro e, na hora de pico, parte para a pastelaria, onde trabalham mais três funcionários. Lá, atende clientes e conversa pacientemente com pessoas que o reconhecem e desejam saber curiosidades sobre a sua jornada no futebol. “A visibilidade que o gramado me deu ajuda a atrair um público maior para a pastelaria”, afirma. E juiz pode revelar seu time após pendurar o apito? “Sou palmeirense, mas não me considero mais torcedor. A gente perde um pouco do encanto depois de frequentar os bastidores”, explica.

Marcelo Rogério é apenas um entre tantos juízes que encerram a carreira buscando novas fontes de renda. “Jamais viveria só de arbitragem. Seria uma vida inteira esperando a bolinha com meu nome sair”, aponta. Apesar do foco nos negócios, Marcelo ainda presta serviços de analista para a CBF e a Federação Paulista.

Prosperando com seu comércio, Marcelo Rogério aponta também outro efeito positivo após a mudança: a vida amorosa. “As namoradas que tive não aguentavam a correria da profissão. Perdi muitos relacionamentos por causa do apito”, lembra. Veridiana, a noiva, agradece.

Com 14 sabores disponíveis e uniformes espalhados pelas paredes, o “Pastel do Juiz” funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, na Rua Santa Cruz, número 211. A clientela cresce, mas, diferente da pressão que vinha das arquibancadas, a exigência é bem mais fácil de atender: bastam alguns minutos para fritar os pastéis de carne e queijo – sempre os preferidos – e encerrar mais uma partida.

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Thiago Peixoto apita o primeiro duelo do centenário do clássico Corinthians e Palmeiras

Um dos principais clássicos do país e, certamente, o de maior rivalidade no futebol paulista está completando 100 anos.

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Os eternos rivais Corinthians e Palmeiras voltam a se enfrentar no dia de hoje (22/02) em partida válida pela 5ª rodada do Campeonato Paulista na Arena Itaquerão. O famoso Derby Paulista está completando 100 anos de existência em 2017 e o primeiro duelo será comandado pelo árbitro Thiago Duarte Peixoto, auxiliado pelos mundialistas Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Carvalho Van Gasse, ambos do quadro internacional da FIFA.

peixotoPeixoto é atualmente aspirante ao quadro da FIFA, um árbitro jovem em alta, com grande potencial na carreira. Teve um grande ano em 2016 atuando em alto nível pelo Campeonato Brasileiro Série A.

Este não é seu primeiro jogo do derby. Em 2016, Peixoto atuou como quarto árbitro no jogo Palmeiras 1 X 0 Corinthians pela sétima rodada do Brasileirão no Allianz Parque e foi o árbitro principal no jogo Corinthians 2 X 2 Palmeiras pelo Paulistão de 2015 na mesma arena corintiana.

A primeira partida disputada pelas equipes foi no dia 06 de Maio de 1917 e o Palestra Itália, nome do Palmeiras naquela época, venceu pelo placar de 3 a 0. Segundo registros e levantamentos históricos, foram disputadas 352 partidas ao todo. O Palmeiras lidera com 125 vitórias, Corinthians tem 120 e foram 107 empates.

Confira os clássicos mais antigos do Brasil:

1) FLUMINENSE 6×0 BOTAFOGO (CLÁSSICO VOVÔ) , 22/10/1905
2) GRÊMIO 10×0 INTERNACIONAL (CLÁSSICO GRE-NAL) , 18/07/1909
3) NÁUTICO 3×1 SPORT (CLÁSSICO DOS CLÁSSICOS) , 25/07/1909
4) PONTE PRETA 1×0 GUARANI (DÉRBI CAMPINEIRO) ,  ??/??/1911
5) FLUMINENSE 3×2 FLAMENGO (FLA-FLU OU CLÁSSICO DAS MULTIDÕES,07/07/1912
6) BOTAFOGO 1×0 FLAMENGO , 13/03/1913
7) SANTOS 6×3 CORINTHIANS , 22/06/1913
8) REMO 2×1 PAYSANDU (RE-PA OU CLÁSSICO-REI DA AMAZÔNIA) , 10/06/1914
9) SANTOS 7×0 PALMEIRAS , 03/10/1915
10) SANTA CRUZ 2×0 SPORT (CLÁSSICO DAS MULTIDÕES) ,  06/05/1916
11) PALMEIRAS 3×0 CORINTHIANS (DERBY PAULISTA) , 25/10/1916
12) SANTA CRUZ 3×0 NÁUTICO (CLÁSSICO DAS EMOÇÕES) , 29/06/1917
13) CEARÁ 2×0 FORTALEZA (CLÁSSICO REI), 17/12/1918
14) CRUZEIRO 3×0 ATLÉTICO (RAPOSA VERSUS GALO) , 17/04/1921
15) VASCO 3×2 FLUMINENSE (CLÁSSICO DOS GIGANTES) , 11/03/1923
16) VASCO 3×1 BOTAFOGO , 22/04/1923
17) VASCO 3×1 FLAMENGO (CLÁSSICO DOS MILHÕES) , 29/04/1923
18) CORITIBA 6×3 ATLÉTICO (ATLETIBA) , 08/06/1924
19) FIGUEIRENSE 4X3 AVAÍ (CLÁSSICO DE FLORIANÓPOLIS), 13/04/1924
20) SÃO PAULO 2×2 PALMEIRAS (CLÁSSICO CHOQUE-REI) , 30/03/1930

 

Dorival isenta juiz por gol polêmico e pede uso de tecnologia no futebol

Dorival Junior isentou o árbitro Rafael Gomes Felix da Silva pelo gol polêmico que decretou a vitória do Santos contra o Red Bull, 3 a 2, no Pacaembu. O treinador entendeu que lances difíceis de interpretação poderiam ser solucionados caso houvesse maior interferência da tecnologia no futebol.

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O gol que decidiu a partida foi bastante contestado pelo Red Bull, que pediu mão do santista Kayke, além de alegar que a bola não havia ultrapassado a linha final.

Dorival ressaltou que o Santos também foi prejudicado, pois o segundo gol do Red Bull, de Nixon, estava em posição de impedimento.

“A tecnologia está aí para ser usada. Só o futebol não usa. A International Board [órgão que regula as regras do futebol] parece que trabalha contra nós ao não exigir a tecnologia, diminuindo a margem de erro. Não tenho como culpar a arbitragem até porque o segundo gol do Red Bull estava impedido e ninguém falou nada”, disse Dorival.

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“Se a tecnologia está aí, deveria ser usada e exigida por todos. Eu sinto por isso. Nunca é bom que o resultado seja definido por um erro interferência. Não é bom para quem vence, e, principalmente, para quem perde”, acrescentou.

 

Fonte: UOL

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Presidente da Federação Paulista fala sobre tecnologia e profissionalização

Em entrevista concedida à Folha de SP, o atual presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, comentou sobre assuntos polêmicos referentes à arbitragem de futebol relacionados ao uso da tecnologia e a profissionalização.

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Sobre a adoção e uso da tecnologia nas competições paulistas, o mandatário disse que os custos ainda são fora da realidade do futebol paulista. Ele comentou que a tecnologia vai chegar um dia, mas ainda tem problemas que precisam ser analisados e a própria FIFA admite isso. Há uma preocupação também com a dinâmica do jogo. Existe uma preocupação de o árbitro pedir para parar o jogo a toda hora para analisar os lances polêmicos.

– Mas se limitar as paradas, ele pede três e acontece um lance escandaloso, aí o que faz? Segue com erro.

Segundo Bastos, a solução para arbitragem é ter uma estrutura profissional, assim como os atletas que têm preparação profissional.

– Criamos diretoria na federação com três comissões. Há uma escola de arbitragem, onde precisa estar dois anos. Fizemos um modelo de formação profissional.

Sobre a profissionalização, ele anda comentou sobre as iniciativas da FPF:

– Estamos distantes do árbitro profissional de dedicação exclusiva, com salário fixo. Foi feito um teste na federação, mas não deu certo. Aumentou a dispensa do árbitro. Se ele apitava domingo em Penápolis, o salário era o mesmo do que se não apitava. Logo, surgia um problema em casa, sentia uma dorzinha que virava uma dorzona. Quando ganha por partida, ele quer apitar sempre. Precisa disso. Ele pode ir em festa, encher a cara, mas está no jogo no dia seguinte. Porque ele precisa daquele dinheiro.

Fonte: Folha de SP

Arbitragem é agredida em jogo da Copinha SP Júnior em Diadema

13/01/2017 3 comentários

Assistente anulou gol, torcedores partiram para cima e árbitro volta atrás na marcação.

copinha-17-netuno-2Água Santa e Juventude faziam jogo bonito na tarde desta sexta-feira (13/01) no Inamar, em Diadema, pela 3ª fase da Copinha, mas um episódio com a arbitragem estragou o espetáculo.

Já no fim da partida, o árbitro Camilo Morais Zarpelão anulou um gol do Netuno, que surgiu em cobrança de escanteio. Após a marcação, torcedores e integrantes da diretoria do clube de Diadema invadiram o campo e partiram para cima do bandeirinha, que havia sinalizado impedimento. Na confusão generalizada, o bandeira acabou sendo agredido.

Rapidamente, o árbitro correu em direção ao bandeira e, com policiais já em campo para controlar a situação, chamou a decisão para si e deu o gol para o Água Santa, que empatou por 2 a 2 naquele instante e levou o duelo para os pênaltis. Com escoriações no rosto, o bandeirinha precisou receber atendimento médico. Nos pênaltis, o Juventude se deu melhor e avançou para as oitavas de final.

Durante o confronto, a torcida se revoltou com a anulação de dois gols do Água Santa, nas duas vezes alegando impedimento, e com a expulsão do lateral-esquerdo Felipe no segundo tempo, com vermelho direto, em lance que o árbitro viu agressão do jogador.

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Copa São Paulo Junior terá recorde de times em 2017

23/11/2016 1 comentário

A Federação Paulista de Futebol definiu na última terça-feira que a 48ª edição da Copa São Paulo de Futebol Junior vai contar com a participação de 120 clubes, tornando-se a a maior da história. Os clubes ficarão distribuídos em 30 cidades do estado de São Paulo, onde cada um será um grupo da fase classificatória. A edição do ano anterior contou com 112 times, um recorde até então.

A ideia da FPF é democratizar o torneio e ampliar a vitrine para clubes e atletas. Além de poder dar espaço um maior número de árbitros, principalmente o mais novos que devem ser demandados para atender ao grande número de jogos e servir de preparação aos mais experientes que vão apitar a Primeira Divisão logo em seguida.

O time Pérolas Negras do Haiti, que foi sucesso de público em 2016, está garantido novamente. A Copinha começa em 2 de janeiro e termina em 25 de janeiro, aniversário da capital paulista.

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