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Posts Tagged ‘Marcelo de Lima Henrique’

Árbitro entra na Justiça contra ex-presidente de comissão de arbitragem e prefeito de BH

Acostumado, como todo árbitro, a ouvir provocações e xingamentos de torcedores, Marcelo de Lima Henrique não engoliu as ofensas de dois desafetos: o ex-presidente da comissão de arbitragem de Pernambuco, Salmo Valentim, e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, ex-presidente do Atlético-MG. O árbitro entrou com ações de danos morais contra a dupla, pedindo R$ 25 mil em cada uma delas.

A rusga com Salmo começou em fevereiro de 2017, quando Marcelo deixou a Federação Pernambucana, à qual era filiado desde 2014, para retornar ao Rio. O então presidente da comissão de arbitragem de Pernambuco levantou suspeitas contra o árbitro em entrevista ao Blog Extracampo, entre outras publicações. Naquela ocasião, Salmo afirmou que pediria à CBF que Marcelo não apitasse mais jogos do Náutico, do Santa Cruz e do Sport em competições nacionais.

– Não sabemos o que ele pode fazer contra os clubes pernambucanos — disse.

Já o problema com Kalil vem de 2015, quando o atual prefeito da capital mineira ainda era dirigente do Atlético-MG.

– Marquei um pênalti contra o Atlético-MG em um jogo contra o Atlético-PR. E expulsei o Marco Rocha. O Kalil me xingou de vagabundo e ladrão no Twitter – lembra Marcelo, ainda magoado: – Em 23 anos de futebol, eu nunca havia sido xingado por pessoas públicas. Até hoje, quando apito um jogo do Atlético, recebo ameaças.

As ações correm no Juizado Especial Criminal de Itaboraí. Como os acusados não compareceram à audiência, o advogado de Marcelo pediu que o caso fosse julgado à revelia. O que poderá ocorrer na próxima segunda-feira.

– Está nas mãos da Justiça – encerra Marcelo de Lima Henrique.

Fonte: Extra

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CBF aumenta limite de idade e “desaposenta” árbitros brasileiros

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Em meio ao futebol praticado cada vez com mais intensidade, a CBF tomou uma decisão que pode gerar mais polêmicas na arbitragem brasileira, já tão criticada.

A entidade aumentou o limite de idade dos árbitros que trabalham nos seus torneios de 45 para 50 anos. A decisão foi anunciada um ano após a FIFA retirar o limite de idade de 45 anos para os árbitros nas competições organizadas por ela.

Árbitros que já encerram a carreira acreditam que a medida não é benéfica, pois poderia atrapalhar o surgimento de novos árbitros no país.

A Comissão Nacional de Arbitragem da CBF, porém, não vê que essa nova determinação possa atrapalhar.

– “Após a decisão da Fifa, analisamos e achamos interessante. Essa nova medida é importante desde que o árbitro tenha sido aprovado nos testes”, disse o Coronel Marinho, que assumiu a presidência da comissão em setembro do ano passado.

A decisão de aumentar o limite de idade dos árbitros era uma reivindicação da ANAF (Associação Nacional de Árbitros de Futebol).

– “Se o árbitro for aprovado nos testes físicos, técnicos e mentais e estiver motivado para trabalhar, porque existir esse limite de idade? Ele tem totais condições de continuar assim como um jogador veterano”, disse Marco Antonio Martins, 50, ex-árbitro e presidente da Anaf.

De acordo com Martins, a imposição da idade impediu que árbitros importantes do país continuassem a carreira mesmo em boa fase.

– “Na época, o Simon [Carlos Eugênio] parou com 45 anos voando. Ele tinha condições de apitar mais alguns anos”, acrescentou.

A decisão da CBF beneficiou dois árbitros que trabalharam no Brasileiro-2016: o carioca Marcelo de Lima Henrique, 45, e o baiano Jailson Macêdo Freitas, 46.

– “Considerava que era um preconceito limitar o árbitro pela idade. Se ele conseguisse a aprovação nos testes, deveria continuar apitando. Acho que esse limite imposto pela CBF foi mais para ter um parâmetro”, disse Marcelo, que já voltou a apitar partidas no Estadual do Rio.

O carioca foi árbitro FIFA até 2014. Ele apitou o duelo entre Uruguai e Argentina, em Montevidéu, pelas eliminatórias da Copa do Mundo-2014.

A decisão também beneficiou o assistente Emerson Augusto de Carvalho, 44. Ele não poderia trabalhar na Copa-2018, já que teria estourado o limite da CBF, mas foi pré-selecionado pela FIFA para o Mundial da Rússia.

Fonte: Folha SP

Limite de idade dos árbitros do Brasileirão sobe para 50 anos

O limite de idade para árbitros no Brasil, que era de 45 anos, subiu para 50 anos. A mudança vale para as Séries A e B do Campeonato Brasileiro a partir deste ano.

Dois árbitros que completam 46 anos em 2017 são, por exemplo, Jailson Macedo Freitas (da Federação Bahiana) e Marcelo de Lima Henrique (da Federação Pernambucana).

Por outro lado, o limite de idade para as Séries C e D foi reduzido para 42 anos.

Outra novidade para este ano é a volta dos auxiliares adicionais, os juízes que ficam atrás dos gols. A CBF havia cortado essa função em 2015 e 2016 com duas justificativas, mas voltou atrás.

Fonte: Globo Esporte

Lesão no pé pode encerrar a carreira do árbitro Marcelo de Lima Henrique

marcelo_de_lima_machucadoUm dos mais experientes árbitros do país, Marcelo de Lima Henrique vive um drama: há três anos recorrendo a infiltrações para aliviar dores no pé esquerdo, descobriu que sofreu uma ruptura no tendão de Aquiles, o que pode antecipar o fim de sua carreira.

– Estou tentando não operar, pois teria de ficar seis meses parado. Aí, acaba a carreira, pois esse é o meu último ano como árbitro – lembra Marcelo, de 45 anos.

Para seguir apitando até o fim da temporada, o árbitro, ligado à Federação Pernambucana, terá de se submeter a um teste no dia 12 de fevereiro.

– Estou tentando treinar e fazer o tratamento com ondas de choque e fisioterapia. Faço um intensivo no tratamento para levar esse ano e operar só ano que vem. Mas está muito difícil. Vida de árbitro… – diz, conformado.

Fonte: Extra

Jornalista do Estado de Minas manda mensagem desejando câncer para juiz

Captura-de-Tela-2015-09-03-às-09.42.40-438x600O jornalista Fred Melo Paiva cometeu um grande erro (admitido por ele) após o jogo do Galo, nesta quarta-feira. Chateado com um erro do juiz da partida, o jornalista mandou uma mensagem para o juiz desejando um câncer.

“Se Deus existir, vai te mandar um [câncer] bem no meio do intestino reto. 8 milhões de pessoas torcerão por isso a partir de hoje. Muita energia ruim. Pilantragem volta, pode ter certeza”, disse ele na mensagem destinada ao juiz.

A resposta do juiz, porém, foi surpreendente. A resposta que Fred recebeu foi simplesmente um “Deus o abençoe amigo”.

Arrependido, o jornalista se desculpou no Twitter. “Peço desculpas aos meus seguidores e ao próprio juiz do jogo de ontem pela maneira como externei minha revolta. Não justifica”, escreveu.

Os melhores árbitros dos estaduais de 2015

08/05/2015 1 comentário

Neste fim de semana se inicia mais uma temporada dos campeonatos nacionais da CBF, fechando o ciclo das competições estaduais em quase todo país.

Como de praxe, todo fim de campeonato tem seus destaques, e são eleitos melhores na arbitragem. O Refnews destaca alguns dos melhores árbitros e assistente dos estaduais do Brasil.

São Paulo

O Santos sagrou-se o campeão estadual de 2015 em São Paulo após vencer o Palmeiras na final. O trio de arbitragem de último jogo foi eleito o melhor da competição e embolsou o prêmio de R$ 200 mil, sendo 100 mil ao árbitro e 50 mil a cada assistente. Foram premiados também o segundo e terceiro melhores trios de arbitragem. São eles:

Melhor Árbitro: Árbitro Guilherme Ceretta de Lima.
Melhores Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Alex Ang Ribeiro.

Segundo colocado: Thiago Duarte Peixoto como árbitro e os assistentes Anderson José de Moraes Coelho e Carlos Augusto Nogueira Junior.
Terceiro colocado: Vinicius Gonçalves Dias de Araújo como árbitro e os assistentes Miguel Cataneo Ribeiro da Costa e Tatiana Sacilotti dos Santos Camargo.

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Melhor trio paulista: Emerson, Cel. Marinho (presidente CEAF/SP), Ceretta e Alex Ang.

Arbitragem das finais:

Palmeiras 1 x 0 Santos – Árbitro: Vinicius Furlan; Assistentes: Carlos Augusto Nogueira Junior e Anderson José de Moraes Coelho; Quarto Árbitro: Guilherme Ceretta de Lima.
Santos 2 x 1 Palmeiras – Árbitro: Guilherme Ceretta de Lima; Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Alex Ang Ribeiro; Quarto Árbitro: Thiago Duarte Peixoto.

Rio de Janeiro

No Carioca o Vasco foi o grande vencedor do torneio em partida disputada contra o Botafogo. Nenhum dos árbitros dos jogos finais, porém, foi eleito como o melhor da competição. Sobrou para outro nome, mais experiente e com escudo internacional da FIFA.

Melhor Árbitro: Péricles Bassols Pegado Cortez.

Arbitragem das finais:

Vasco 1 x 0 Botafogo – Árbitro: Luis Antônio Silva dos Santos, o Índio; Assistentes: Wagner de Almeida Santos e Silbert Faria Sisquim.
Botafogo 1 x 2 Vasco- Árbitro: Wagner Magalhães como árbitro; Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa e Dibert Pedrosa Moisés.

Minas Gerais

Por pouco a Caldense não se sagrou campeã estadual pela primeira vez. Precisava apenas de um empate mas o Atlético venceu o jogo e colocou a mão na taça.

Melhor Árbitro: Emerson de Almeida Ferreira.

Arbitragem das finais:

Altético 0 x 0 Caldense – Árbitro: Cleisson Veloso Pereira; Assistentes; Guilherme Dias Camilo e Márcio Eustáquio Souza Santiago.
Caldense 1 x 2 Atlético – Árbitro: Emerson de Almeida Ferreira; Assistentes: Guilherme Dias Camilo e Janette Arcanjo; Quarto Árbitro: Igor Benevenuto.

Rio Grande do Sul

Em mais uma final com o clássico Gre-Nal, o gaúcho terminou com o Internacional como campeão.

Melhor Árbitro: Anderson Daronco.
Melhor Assistente: Marcelo Bertanha Barison.

Segundo colocado: Leandro Pedro Vuaden como árbitro e o assistente Rafael da Silva Alves.
Terceiro colocado: Jean Pierre Lima como árbitro e o assistente José Javel Silveira.

Arbitragem das finais:

Grêmio 0 x 0 Internacional – Árbitro: Anderson Daronco; Assistentes; José Javel Silveira e Julio César Rodrigues dos Santos. Quarto Árbitro: Daniel Soder.
Internacional 2 x 1 Grêmio  – Árbitro: Leandro Pedro Vuaden; Assistentes: Rafael da Silva Alves e Marcelo Bertanha Barison; Quarto Árbitro: Roger Goulart.

Bahia

Com uma goleada histórica de 6 a 0 sobre o Vitória da Conquista, o Bahia foi o grande campeão de 2015. O melhor árbitro da competição, no entanto, comandou a primeira partida da final.

Melhor Árbitro: Lúcio José Silva de Araújo.
Melhores Assistentes: José Raimundo Dias da Hora e Jucimar dos Santos Dias.

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Arbitragem das finais:

Vitória da Conquista 3 x 0 Bahia – Árbitro: Lúcio José Silva de Araújo; Assistentes: José Raimundo Dias da Hora e Jucimar dos Santos Dias; Quarto Árbitro: Eziquiel Sousa Costa.
Bahia 6 x 0 Vitória da Conquista – Árbitro: Jailson Macêdo Freitas; Assistentes: José Raimundo Dias da Hora e Jucimar dos Santos Dias; Quarto Árbitro: Gleidson Santos Oliveira.

Santa Catarina

Um campeonato ainda sem campeão definido, embora o Joinville tenha vencido segundo o regulamento. O catarinense ainda está em aberto, pois a decisão vai acontecer no Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina (TJD-SC).

Melhor Árbitro: Sandro Meira Ricci.
Melhores Assistentes: Nadine Câmara Bastos e Kléber Lúcio Gil.

Arbitragem das finais:

Figueirense 0 x 0 Joinville – Árbitro: Celso Amorin; Assistentes: Neuza Inês Back e Eli Alves.
Joinville 0 x 0 Figueirense – Árbitro: Sandro Meira Ricci; Assistentes: Nadine Schramm Camara Bastos e Helton Nunes.

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Pernambuco

O Santa Cruz não decepcionou e venceu a compeonato em cima do Salgueiro. O trio da primeira final foi eleito o melhor da competição.

Melhor Árbitro: Marcelo de Lima Henrique.
Melhores Assistentes: Clóvis Amaral da Silva e Fernanda Colombo Uliana.

Arbitragem das finais:

Salgueiro 0 x 0 Santa Cruz – Árbitro: Marcelo de Lima Henrique; Assistentes: Clovis Amaral da Silva e Fernanda Colombo Uliana; Quarto Árbitro: Ana Karina Marques Valentim.
Santa Cruz 1 x 0 Salgueiro – Árbitro: Emerson Luiz Sobral; Assistentes: Albino de Andrade Albert Junior; Quarto Árbitro: Gleydson Ferreira Leite.

Paraná

Destaque para o campeão paranaense deste ano ao time do Operário que bateu o Coritiba nas duas partidas da final.

Arbitragem das finais:

Operário 2 x 0 Coritiba – Árbitro: Rafael Traci; Assistentes: Moises Aparecido de Souza e Luciano Roggebaun.
Coritiba 0 x 3 Operário – Árbitro: Adriano Milczvski; Assistentes: Bruno Boschilia e Pedro Martinelli Christino.

Goiás

No goiano deste ano o Goiás mais uma vez sagrou-se campeão, agora em cima do Aparecidense, que fez sua primeira final.

Melhor Árbitro: Wilton Pereira  Sampaio.
Melhor assistente: Fabrício Vilarinho.

Arbitragem das finais:

Aparecidense 0 x 2 Goiás – Árbitro: Wilton Pereira Sampaio; Assistentes: Márcio Soares e Bruno Pires.
Goiás 1 x 1 Aparecidense – Árbitro: Elmo Resende; Assistentes: Fabrício Vilarinho e Jesmar Miranda.

Mato Grosso do Sul

Pelo estadual Sul Matrogrossense o Comercial levantou a taça após enfrentar o Ivinhema. O árbitro da primeira final foi eleito o melhor do ano.

Melhor Árbitro: Erlanderson Martinez Rodrigues.
Melhor Assistente: Eduardo Gonçalves da Cruz.

Arbitragem das finais:

Comercial 0 x 0 Ivinhema – Árbitro: Erlanderson Martinez Rodrigues; Assistentes: Vanessa Abreu de Amaral e Leandro dos Santos Ruberdo.
Ivinhema 2 x 3 Comercial – Árbitro: Paulo Henrique Vollkopf; Assistentes: Eduardo Gonçalves da Cruz e Daiane Caroline Muniz dos Santos.

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Marcelo de Lima Henrique defende árbitros: “Criticar a arbitragem vende”

Ele suscita amor e ódio. Árbitro que mais jogos (29) apitou em 2014, foi um dos quatro a receber nota 10 da Comissão Nacional de Arbitragem em uma partida. Mas é o mais detestado pelos jogadores que disputaram o Brasileiro. Mesmo assim, Marcelo de Lima Henrique, 43 anos, é considerado um dos principais juízes do país. Após ter recebido proposta irrecusável e trocado a Federação Carioca pela Pernambucana – apesar de ter deixado de pertencer ao quadro da Fifa no dia 31 de dezembro -, ele quer uma digna despedida de carreira. Emocionado, fala sobre erros, acertos, polêmicas, tecnologia, profissionalização e avisa: pretende regressar à Ferj para exercer função na Comissão de Árbitros após pendurar o apito.

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O DIA: Relatório da CBF aponta que a atuação da arbitragem no Brasileirão de 2014 foi próxima de excelente (nota 8,44). A escala de notas da Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf) condiz com a realidade do que se vê nos campos de futebol do país?

Marcelo: Ela é responsabilidade da CBF, que segue parâmetros da Fifa. Na arbitragem tomamos várias decisões durante uma partida e o que importa são as “grandes decisões”, como expulsar ou não um jogador, a questão do gol ou não gol, do pênalti ou não pênalti… Vimos erros em “grandes decisões” e isso nos dá a sensação de arbitragem ruim. Até porque, às vezes, ela interfere no placar.

Como você vê a enxurrada de críticas à arbitragem brasileira atualmente?

No mundo todo é assim. Aqui se acentua mais por fatores como herança cultural, que sempre acha que o árbitro é o culpado, transferência de responsabilidade por parte de dirigentes, jogadores e técnicos, e até falta de respeito às autoridades e às instituições constituídas.

Em relação aos ex-árbitros que hoje são comentaristas de arbitragem. Você é a favor de tal prática?

Sou. Só acho uma pena que a maioria esteja desinformada, não tenha se modernizado para a função, com conceitos antigos e retrógrados. Salvam-se dois ou três.

Quem?

Os mais preparados e atualizados são Sálvio Fagundes, da ESPN; Carlos Simon, da Fox Sports; Leonardo Gaciba e Paulo César de Oliveira, da Rede Globo.

Muitos são considerados corporativistas, você concorda com tal afirmação?

Não. Eles são realistas. Se há erro do árbitro, apontam, sem folclore, sem levar para o lado pessoal. Dá para criticar e ser ético. Pena que alguns ainda se esqueçam que estiveram lá dentro (em campo) e que nós temos família.

Você foi o árbitro com a maior média de notas no Brasileirão-2014, ganhando um 10 pela atuação na vitória (3 a 2) do Atlético-MG sobre o Cruzeiro. A que atribui seu desempenho?

Em 2014, especificamente, tive uma sequência de excelentes trabalhos nos principais clássicos pelo Brasil. Vejo muito futebol, vivo futebol, respiro futebol e arbitragem.

Você também é o árbitro que mais partidas (29) apitou na temporada. A que atribuiu tal marca?

Fui o árbitro que mais atuou em 2014 porque, em um momento conturbado pós-Copa do Mundo, mantive uma regularidade e isso, na arbitragem, faz grande diferença.

Você se considera o melhor árbitro do Brasil?

Fui considerado o primeiro de acordo com as notas e avaliações minuciosas. Quanto a ser o melhor árbitro do Brasil vai do sentimento de cada um. Fato é que estou entre os melhores há uns cinco anos. As escalas, as decisões arbitradas por mim e a confiança das Comissões de Árbitros atestam isso.

Mas você foi eleito por 108 jogadores de 13 clubes que disputam a Série A como o pior árbitro do Brasileiro, com um índice de rejeição de 19,44%. Isso incomoda?

Para mim é até um prêmio. Não incomoda nada. Entre os que mais arbitraram no Brasileiro, sou o que mais adverte e esse perfil disciplinador causa inimizades. Mas não espero consideração dos jogadores. Poucos são éticos e leais. Prefiro assim. Se não vai no amor, vai na dor. Não faço questão de ter fãs entre os boleiros.

Por que trocou a Federação Carioca pela Pernambucana?

Recebi uma proposta excelente, com ótimas condições de trabalho. E como restam dois anos para encerar minha carreira, vi que essa valorização profissional e financeira era irrecusável. Árbitro não tem salário, férias, FGTS… Tive que pensar em mim e fui muito bem recebido em Pernambuco. Mas volto logo, pois quero encaminhar minha carreira no Rio.

Como?

Segundo Rubens Lopes (presidente da Ferj), as portas estão abertas para mim. Quero dar tudo que recebi da arbitragem. Quero trabalhar na Comissão de Árbitros, na função que os gestores definirem a ideal para mim.

Você, inclusive, já atuou em Pernambuco?

Sim, no dia 7 de dezembro. Apitei Pesqueira 2 x 2 Porto, pela fase preliminar do Pernambucano.

A arbitragem brasileira – e carioca especificamente – é ruim?

Eu as avalio de boas para muito boas. Dou nota 8.

Então por que tantas críticas à arbitragem?

Criticar a arbitragem vende, dá ibope, tira o foco, desvia as atenções. Além disso, nós, árbitros, não temos voz, parece que somos todos de Marte. É mais fácil criticar, esconder erros técnicos e estruturais das equipes. Erramos sim, mas trabalhamos para diminuir tais erros, pois o futebol merece excelência. Só que xingar o árbitro é cultural e acalma a alma (risos).

O que faz o bom árbitro?

Ele é moldado na várzea, nas Ligas, na dureza dos jogos amadores. Ele tem que respirar futebol, saber a tabela do Campeonato Maranhense, Espanhol, Capixaba… Tem que viver isso intensamente.

O que derruba o bom juiz?

A soberba, as atuações pensando na próxima escala. O árbitro que tenta agradar a todos cai do cavalo. Um lado sai reclamando sempre. Decidir desagrada.

Um jogo inesquecível…

Uruguai 2 x 1 Argentina, em 2013, pelas Eliminatórias da Copa, e Botafogo 1 x 2 Flamengo, na final da Taça Guanabara de 2008.

Qual jogo gostaria de esquecer definitivamente?

Atlético MG 1 x 1 Palmeiras, pela Sul-Americana de 2010. Marquei um pênalti e tive que voltar atrás, pois o assistente teve dúvida da posição de impedimento no lance. Fiquei quase dois anos sem arbitrar na Conmebol.

E a decisão do Carioca de 2014, na qual foi validado um gol em impedimento, aos 45 do segundo tempo, que resultou no título do Flamengo sobre o Vasco?

Ainda não consigo apitar e marcar impedimento. Todos que estavam no Maracanã acharam o gol legal. Torcedores, narradores… Só pelo replay, em câmera lenta, se viu que o gol foi do Márcio Araújo, em impedimento. Minha atuação individual na decisão foi excelente.

A tecnologia é um adversário do árbitro?

Ela ajuda o bom árbitro e é inimiga do mal árbitro. Eu a aprovo e gosto muito.

Você é a favor da profissionalização da arbitragem?

Sim. Somos os únicos amadores em um esporte cada vez mais rico. Não temos direito a nada, somos voluntários remunerados por serviço prestado. Só lembram da profissionalização quando há um grande erro em uma decisão e depois esquecem. Falta lei específica que garanta direitos e deveres.

Que outros árbitros você destaca no país?

Sandro Meira Ricci, Ricardo Marques, Leandro Vuaden e Anderson Daronco. No Rio, Graziane Maciel, Patrice Maia, Wagner Magalhães e Péricles Bassols.

Que recado daria a um jovem que deseja ser árbitro?

Que só entre nessa atividade se tiver coragem para enfrentar obstáculos, com amor à atividade. Que respire futebol, pois há mais espinhos do que flores. Mas que saiba que é muito prazeroso estar inserido no futebol pentacampeão mundial.

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