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Posts Tagged ‘Sérgio Corrêa’

Coronel Marinho terá auxílios de Alício Pena Jr., Ana Paula e Cerdeira na CBF

Secretário-geral da CBF, Walter Feldman afirma que saída de Sérgio Corrêa da Comissão de Arbitragem foi um pedido dele mesmo: “Reconhecemos seu cansaço”.

coronel_marinhoNesta terça, a CBF anunciou mudanças na composição da Comissão de Arbitragem da entidade. Sai o então presidente Sérgio Corrêa e assume o Coronel Marinho, comandante da arbitragem no futebol paulista até este ano, e que trabalhou com o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, quando este presidia a Federação Paulista de Futebol. Em entrevista ao Tá na Área, o secretário-geral da entidade, Walter Feldman, afirmou que a decisão partiu de um pedido feito pelo próprio Sérgio Corrêa, que apontou para um acúmulo de funções na entidade. Agora, ele passa a se dedicar ao programa de árbitro de vídeo.

– Sérgio Corrêa pediu nesta tarde para reduzir o seu encargo da Comissão Nacional de Arbitragem mais o comando do programa de árbitro de vídeo, todas suas tarefas, inclusive as relacionadas à Escola de Arbitragem. O presidente Marco Polo Del Nero atendeu ao seu apelo e imediatamente indicou o Marcos Cabral Marinho de Moura (Coronel Marinho), que vai a partir de hoje começar a organizar o seu programa para o comando da Comissão Nacional de Arbitragem do futebol brasileiro.

Feldman ainda confirmou Alício Pena Júnior como vice-presidente da comissão, que terá ainda as participações do ex-árbitro Cláudio Cerdeira e da ex-assistente Ana Paula Oliveira.

– Serão os quatro que comandarão a partir de agora a Comissão Nacional (de Arbitragem) – disse Feldman.

O dirigente ainda garantiu que a saída de Sérgio Corrêa em nada deve-se à pressão de clubes, como Atlético-MG e Fluminense, que já pediram a saída do então comandante da arbitragem nacional.

Ana Paula Oliveira era secretária da Escola Nacional de Arbitragem (Foto: Quésia Melo)

Ana Paula Oliveira era secretária da Escola Nacional de Arbitragem (Foto: Quésia Melo)

– Sérgio Corrêa é de absoluta confiança do ponto de vista do comando da arbitragem nacional. Nós acreditamos na sua qualificação técnica, na sua seriedade, na sua correção, mas há um desgaste natural pelo tempo. Ele é o mais longevo, o mais antigo coordenador dessa área no futebol brasileiro. Portanto, nós reconhecemos seu cansaço, essa sobrecarga, mas ele não sai por nenhum outro motivo a não ser a divisão nossa de tarefas na CBF.

Corrêa agora se dedicará única e exclusivamente ao projeto do árbitro de vídeo, afirmou Feldman.

– Dada a importância desse programa e o papel que ele teve no desenvolvimento dessa ideia, na possível implementação e na articulação internacional, consideramos que seria uma sobrecarga muito grande. Então, ele vai se dedicar exclusivamente a esse programa a partir de agora.

Sérgio Corrêa passa a se dedicar exclusivamente a programa de árbitro de vídeo (Foto: Reprodução SporTV)

Sérgio Corrêa passa a se dedicar exclusivamente a programa de árbitro de vídeo (Foto: Reprodução SporTV)

Fonte: SporTV

Chefe de árbitros cai após metade dos times do Brasileiro reclamar à CBF

A saída do presidente da comissão de arbitragem Sérgio Corrêa ocorre após metade dos clubes da Série A reclamarem de juízes neste Brasileiro. A diretoria diz que o próprio diretor pediu para sair, mas admite que pode ter havido desgaste dele. Clubes que criticaram o diretor estavam satisfeitos com a troca por Marcos Marinho.

Sérgio Correa deixou o cargo de presidente da Comissão de Arbitragem da CBF.

Sérgio Correa deixou o cargo de presidente da Comissão de Arbitragem da CBF.

Levantamento do blog mostra que 10 clubes informaram ter feito protestos formais à CBF contra a arbitragem neste Nacional. São eles: Fluminense, Flamengo, Santos, São Paulo, Palmeiras, Cruzeiro, América-MG, Grêmio, Atlético-PR e Figueirense. Não foram consideradas reclamações de vestiário ou de técnicos e jogadores.

Um dos mais incisivos foi o presidente santista, Modesto Roma Jr., que pediu a queda de Sérgio Corrêa após a expulsão do meia Lucas Lima no jogo contra o Internacional. Ele aprovou a troca no comando da arbitragem.

”O presidente da CBF fez o certo. Ele (Marinho) quando assumiu a Paulista vinha de um escândalo de arbitragem com o Edílson (caso de manipulação de arbitragem). Ele melhorou a arbitragem de São Paulo”, afirmou Modesto. ”Os árbitros de São Paulo são muito bons, assim como os gaúchos.”

Ao justificar a escolha de Marinho, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, citou os elogios dos times paulistas, incluindo Modesto. O presidente santista, no entanto, disse não ter indicado o novo chefe da arbitragem. ”O presidente da CBF não precisa de indicação. Marinho é um bom nome. Seneme (Wilson, atualmente na Conmebol) é outro. Sálvio (Spínola, comentarista de tv) é outro.”

Coronel Marcos Marinho assume hoje a presidência da arbiragem na CBF.

Coronel Marcos Marinho assume hoje a presidência da arbiragem na CBF.

Outro crítico da arbitragem da CBF é o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, que fez seguidas reclamações formais por erros contra o time. ”Espero que seja para melhor. Não conheço o novo titular, mas tive boas informações dele vindas dos presidentes dos clubes paulistas”, analisou. Ele não se mostrou preocupado com mais um paulista na comissão.”Se ele for bom mesmo, não vai se sujeitar a pressões de ninguém.”

Feldman afirmou que a arbitragem é sempre ”o elo frágil” pelas críticas dos clubes, e que a própria comissão reconhecia alguns dos erros cometidos. A CBF instalou um grupo independente para avaliar o trabalho da comissão de arbitragem a pedido dos clubes. Até agora, todos os relatórios dessa comissão foram de elogios às atuações de alguns trios por rodada, enquanto os clubes continuam a reclamar.

Uma das apostas da confederação é o árbitro de vídeo, que está em fase final de testes pela Fifa e pode entrar em vigor em 2017. O ex-presidente da comissão Sérgio Corrêa vai cuidar justamente desse projeto.

Fonte: Blog do Rodrigo Mattos

Representantes da arbitragem da CBF acompanham testes do vídeo replay nos Estados Unidos

O Refnews publicou dias atrás sobre os testes dos vídeo replay que a Fifa e a IFAB realizaram nos Estados Unidos, na Red Bull Arena em Nova Iorque, para o experimento do VAR, sigla para árbitro assistente de vídeo.

Representantes da CBF estiveram presentes na ocasião para conferir de perto a realização dos experimentos com o novo sistema. O presidente da Comissão de Arbitragem, Sérgio Correa, e o instrutor técnico da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol (ENAF), Manoel Serapião estiveram in loco. O Brasil foi um dos pioneiros na solicitação à Fifa do uso deste tipo de tecnologia no futebol e está participando do programa experimental introduzido nas regras do jogo na última alteração que entrou em vigor em Junho deste ano.

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Chefe da arbitragem diz que “pitis” eram esperados e alfineta técnicos

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O presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, disse em declaração ao site da entidade que já era esperada uma maior pressão em cima dos juízes diante da renovação no quadro programada para a Série A do Campeonato Brasileiro. A segunda rodada da competição ficou marcada por uma série de “pitis” de treinadores, o que rendeu uma alfinetada de Sérgio Corrêa em quem prefere culpar a arbitragem por resultados ruins.

“Nós projetamos essa pressão inicial com base na cultura de alguns que preferem colocar a responsabilidade do resultado na terceira equipe de uma partida, que é a arbitragem. Mais árbitros novos estão atuando no início do campeonato, pois estamos dando oportunidades aos árbitros nacionais, que, tendo suas atuações aprovadas, podem vir a substituir os que integram a lista FIFA, em curto e médio prazo. Isto evitará repetições e o consequente desgaste na competição mais equilibrada do futebol mundial”, disse.

Três treinadores acabaram expulsos no último fim de semana, todos por reclamação: Cuca (Palmeiras), Gilson Kleina (Coritiba) e Paulo Autuori (Atlético-PR). Por outro lado, apenas dois jogadores receberam vermelho em uma rodada que, segundo a entidade, já foi um reflexo da renovação pretendida para a temporada.

A nota da CBF diz que apenas um árbitro atuou tanto na primeira como na segunda rodada. Se contados os 20 jogos disputados até aqui, apenas seis tiveram um árbitro Fifa. No ano passado, o número era inverso, com seis jogos apitados por profissionais sem a chancela da entidade máxima do futebol.

Na avaliação de Sérgio Corrêa, isso não significa que houve perda na qualidade com os árbitros escalados. “É bom ressaltar que, quando falamos de ‘novos’ árbitros, queremos dizer apenas que seus nomes não são tão conhecidos, mas eles já atuaram nas principais competições de seus estados”, explicou.

Fonte: S’e

Chefe da Arbitragem diz que árbitro acertou em pênalti para o Corinthians

“Foi extremamente feliz”, diz Sérgio Corrêa, sobre marcação de Luiz Flávio de Oliveira em lance de bola na mão de Rithely, na derrota do Sport por 4 a 3.

Presidente da Comissão da Arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa defendeu o árbitro Luiz Flávio de Oliveira das críticas, feitas por parte do Sport, em relação à marcação de um pênalti a favor do Corinthians na vitória por 4 a 3 contra o Leão, na noite de quarta-feira, em Itaquera. Quando o jogo estava 3 a 3, a bola bateu no braço de Rithely aos 39 minutos do segundo tempo, o árbitro assinalou pênalti e Jadson marcou, definindo a vitória alvinegra.

– Ele acertou, foi extremamente feliz. Foi uma grande partida, com um grande público, com duas grandes equipes, um 4 a 3, tudo o que sonhamos. Uma arbitragem qualificada, jogadores disputando futebol sem reclamação. Foi um respeito ao torcedor – afirmou o dirigente.

detalheO que causou grande polêmica dias antes do jogo, porém, foi a escalação de um árbitro paulista para o confronto que envolveu o Corinthians. O procedimento vem sendo adotado pela CBF. Corrêa descarta qualquer conflito de interesses ao adotar este tipo de prática.

– Não é um processo de hoje, foi iniciado no ano passado com árbitros, assistentes e adicionais. Neste ano, já tivemos 17 jogos neste sentido, de confiança ao homem, ao cidadão brasileiro, àquele profissional que, no campo, como os jogadores, é o que menos quer errar. Pois se errar, pode ficar fora das próximas designações, corre esse risco. Depois de um grande trabalho de pesquisa e treinamento, concluímos que eles estão preparados para essa pressão.

Na quinta rodada, o mesmo Luis Flávio ignorou lance muito parecido na vitória do Cruzeiro por 1 a 0 contra o Flamengo, no Mineirão. Na partida, o atacante Alecsandro cruzou e a bola bateu no braço de Pará, da Raposa, dentro da área. O pênalti, porém, não foi marcado. Para Sérgio Corrêa, a mudança de postura não significa uma falta de critério, mas uma evolução.

– Foi pênalti também, na oportunidade conversamos com os instrutores. Não é possível que ele tenha entendido e interpretado corretamente? Houve uma evolução. No jogo anterior, Luiz Flávio se equivocou pelo posicionamento, pela mão estar no lado oposto. Neste lance do Sport ele estava bem posicionado e marcou. Jogador erra, árbitro erra, mas o mais importante é ter boa fé.

Fonte: SporTV

Juiz profissional: alto custo, lei, risco de “chinelinho” e taxas são obstáculos

Cartolas debatem profissionalização. Conaf teme acomodação com contratação e tecnologia: “Árbitro é massacrado porque é amador. Se for profissional, será fuzilado”.

Bico ou profissão? O dilema da arbitragem brasileira coloca na mesma balança árbitros que ganham mais de R$ 100 mil em um Campeonato Brasileiro, outros que sequer entram no sorteio para as competições nacionais e uma realidade de atrasos e pagamentos abaixo de um salário mínimo. O tema é complexo e a discussão, antiga. Desde outubro de 2013, por decreto da presidente Dilma Rousseff, há um reconhecimento da profissão, mas, na prática, pouco mudou. O presidente da Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf), Sérgio Corrêa, não vê chance de profissionalização sem a inclusão da tecnologia e avalia risco de surgimento dos “chinelinhos do apito” com salários para árbitros e assistentes. O presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf) questiona o vínculo dos juízes com as comissões de arbitragem e Jorge Rabello, representante do Rio de Janeiro, fala em “utopia de profissionalização” enquanto a Lei Pelé não for aplicada às Consolidações das Leis Trabalhistas (CLT).

A reportagem que debate a profissionalização é mais uma da série de reportagens do GloboEsporte.com sobre a arbitragem brasileira. No primeiro dia, as altas notas das atuações dos árbitros na Série A do Brasileiro em relatório produzido anualmente pela Comissão Nacional dos Árbitros de Futebol (Conaf) foram o assunto. No segundo dia, o tema foi a CBF ter ligado o alerta contra a manipulação de jogos no Brasil nove anos após o escândalo conhecido como “Máfia do Apito”, em que jogos foram anulados devido à venda de resultados pelo ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho, em 2005. Depois, a eficiência na marcação de impedimentos e os erros dos bandeirinhas foi outro tema abordado.

Um dos chavões mais antigos quando se debate a qualidade dos árbitros brasileiros, a cobrança pela profissionalização dos juízes e bandeirinhas está na boca de treinadores, jogadores, jornalistas e torcedores a cada rodada e cada erro nas partidas. A realidade, no entanto, mostra que há parcela representativa da classe que vive sim dos vencimentos do futebol. Em média, um juiz do quadro da Fifa ou da CBF apita de 15 a 20 jogos por ano no Brasileiro da Série A. A taxa nesses jogos pode chegar a quase R$ 4 mil por partida (veja o quadro com a comparação das taxas da arbitragem abaixo) e há finais de campeonato – o Carioca é um exemplo – que pagam até R$ 8 mil ao juiz.

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O presidente da Associação Nacional dos Árbitros, Marco Antônio Martins, lembra que a maioria dos árbitros e assistentes que trabalham com futebol são professores de instituições públicas ou funcionários do estado, o que lhes garante, inclusive por lei federal, o direito a se ausentar do ofício para atuar nas partidas sem prejuízo ao seu ofício convencional.

– Se o cara tem que apitar quarta e ele é obrigado a sair um dia antes, sai na terça e volta na quinta. Como vai ter emprego fixo? Isso é uma falácia. O que mais temos hoje é um grande número de árbitros que são funcionários públicos e que se beneficiam justamente da lei federal. Ela (a lei) os protege para a saída deles para apitar jogo. Então, ele é personal trainer, é professor de educação física em colégio do estado, militar, da marinha, do exército – enumera Martins.

Em realidade semelhante à de jogadores de futebol no país, se há uma elite que pode receber bem por algumas horas de trabalho, há um cenário desolador de falta de pagamento, de juízes e assistentes que bancam passagens e combustível e penam para receber reembolso e um crescente número de problemas levados até ao Ministério do Trabalho.

– A diferença das taxas é gritante. Em São Paulo, às vezes, o árbitro ganha até mais do que no Brasileiro. E em Teresina, em Brasília, tem juiz que ganha R$ 300 por jogo. Imagina o auxiliar, que ganha metade? Temos casos em Rondônia, Roraima, Acre de taxas atrasadas, coisas que não são cumpridas, como por exemplo o que diz no estatuto do torcedor. Lá está escrito claramente: o juiz deve ser remunerado previamente na partida. Agora, temos conhecimento de juiz que paga R$ 4 mil, R$ 5 mil de passagem e depois fica a ver navios. Então está longe de estar tudo às mil maravilhas – contesta Martins, reconhecendo, no entanto, os avanços na gestão de Sérgio Corrêa.

Sérgio Corrêa considera inevitável o surgimento do "chinelinho do apito" com profissionalização (Foto: Vicente Seda).

Sérgio Corrêa considera inevitável o surgimento do “chinelinho do apito” com profissionalização (Foto: Vicente Seda).

Quem paga a conta?

Corrêa e Martins estão em lados opostos quando se discute os custos da profissionalização. Para o presidente da Conaf, “não tem federação que consiga bancar”, por exemplo, além de eventuais salários e passagens, centros de treinamento para capacitação dos árbitros e assistentes. Outra questão problemática para ele seria a logística para agrupar os árbitros de futebol.

– Mais de 80% da Europa dá para colocar aqui dentro. Onde vamos treinar esses árbitros? Por exemplo, temos no Tocantins um árbitro internacional, em Rondônia outro, como vamos montar essa logística? Vou trazer os árbitros para o Rio, vão morar aqui com a família? Vão deixar seus empregos? Se eles tiverem temporada ruim, vão ser demitidos e vão trabalhar onde depois? No Brasil, a dimensão atrapalha bastante, mas na estrutura hoje temos uma tranquilidade maior para trabalhar – avalia Corrêa.

O representante da associação dos árbitros discorda citando as altas cifras pagas em direitos de transmissão pela TV. Sérgio Corrêa estima gastos de R$ 6 milhões mensais, calculando salário-base de R$ 15 mil para 200 juízes. O presidente da Conaf ainda apresenta uma abordagem polêmica com essa possibilidade de remuneração fixa para o quadro de árbitros brasileiros.

– Só de salário fica um custo alto, sem falar no entorno, que é pagar preparador físico, academia… Mas, imagina, você é meu empregado, vai ficar em casa, vai treinar, vai ter responsabilidade e vai ganhar R$ 15 mil por mês… Rapaz, aí vai chegar no jogo, um cara vai e pede dispensa. Vai aparecer o chinelinho do apito. Não é que o medo seja esse, mas é inevitável – aposta o presidente da Conaf.

O presidente da Anaf rebate e afirma que a relação da produção do árbitro com uma carreira profissional seria igual à qualquer outra.
– Não vai ser criado nenhum chinelinho. Estamos falando de contrato de trabalho, de prestação de serviço. Você é jornalista, se você não produzir, você não vai embora? E outra: não falta dinheiro. O quadro da CBF é composto por 600 árbitros. Há necessidade disso tudo?

Temos árbitros que nunca apitaram jogo da Série A, só estão no quadro para ganhar a camisa com o escudo da CBF. Por que não deixam a arbitragem cuidar da arbitragem? Por que não tem a independência das comissões de arbitragem? Acho que é uma questão de poder. Quem tem o poder não quer perder o controle das coisas – critica Martins, que pede o direito efetivo da classe se fazer representar em discussões como esta.

Jorge Rabello questiona legislação que reconheceu profissão de árbitro (Foto: Reprodução SporTV).

Jorge Rabello questiona legislação que reconheceu profissão de árbitro (Foto: Reprodução SporTV).

O presidente da Coaf-RJ, Jorge Rabello, levanta outra questão: a legislação. Ele explica que, apesar do reconhecimento da profissão pelo decreto da presidente Dilma, não houve mudanças na prática. Ele acredita que a profissionalização só será possível a partir do momento em que os árbitros tiverem os mesmos direitos trabalhistas que os atletas.

– A primeira coisa a ser analisada é a seguinte: os árbitros já são profissionais. A Dilma regulamentou por decreto. Já é profissão. Mudou o quê? Nada. Por que não mudou? Porque não basta profissionalizar, tem de criar estrutura e regulamentar a profissão. Se profissionalizasse, a CBF não gastaria nada, ela não tem quadro de árbitro. Os quadros são das federações, o primeiro custo seria das federações, aí está o X do problema. Então a profissionalização esbarra em uma coisa muito simples: quem vai pagar a conta? Os árbitros, pelo decreto, estão automaticamente vinculados à Lei Pelé, mas com uma diferença, apenas nos artigos inerentes à arbitragem. Os atletas são vinculados à Lei Pelé concomitantemente à CLT. Aí os clubes têm de assinar carteira, depositar FGTS, na profissionalização dos árbitros caparam isso. Se fosse da mesma forma que os atletas, aí sim o processo iria começar. O resumo dessa profissionalização é isso: só existe uma possibilidade no Brasil, fazer da mesma forma como foi com os atletas. Aí não haveria saída. Fora isso, não tem profissionalização, é utopia.

“Com tecnologia não precisa de profissional”

A questão da tecnologia para proteger os árbitros das críticas implacáveis auxiliadas pelas dezenas de câmeras espalhadas por cada arena é considerada fundamental quando se discute profissionalização para Corrêa. Isso porque avalia que as críticas já são duras sem os árbitros terem o rótulo de profissionais. Quando tiverem, crê que pressão sobre os árbitros aumentará ainda mais. A tecnologia, portanto, seria um escudo na visão do presidente da Conaf. Por outro lado, analisa também que, com a tecnologia, “não precisaria nem de profissional”.

– O árbitro é amador, é massacrado porque é amador, se for profissional, nesses termos, ele vai ser fuzilado. Você não aceita o erro de um amador, imagina aceitar erro de um profissional. As palavras vão ser demissão… Só com tecnologia, com tecnologia não precisa de profissional. Se fosse fácil, já tinha sido feito. Ninguém quer ficar toda segunda-feira apanhando de vocês (imprensa). Não sou masoquista. Vai melhorar com profissionalismo? Sim, claro, óbvio que melhora a parte física, psicológica, não tenha dúvida que o cara estar num hotel, numa casa… Tiro por base a Copa do Mundo. São três anos de preparação, vão para os melhores hotéis, quarto isolado, carro à disposição, massagem, luxo, mas erram, p… – desabafou.

Durante a Copa do Mundo de 2014, a Fifa utilizou a Tecnologia da Linha do Gol com um sistema de câmeras – sete em cada baliza – para apontar com precisão quando a bola passou ou não da linha do gol. A entidade internacional deixou o aparato como legado, mas acabou não sendo aproveitado pela CBF por não estar disponível em todos os estádios dos campeonatos.

– Teria que ter em todos os estádios, se tivesse teríamos a igualdade de condição, não podemos ter num jogo no Morumbi, outro na Arena Corinthians, no Rio, no Engenhão, outro no Mineirão, no Independência. São situações diferentes. Se acontece só em arenas que têm a tecnologia vamos ter condições de saber (se a bola entrou ou não). Se acontecer nos que não têm, não vamos ter condições de saber. Então é melhor que fique na falha humana. Se deixar na tecnologia em tese é zero erro, não tem discussão. Mas seria desigualdade na mesma competição – explicou Corrêa.

O presidente da Conaf mantém uma posição contrária à tecnologia por acreditar que fará diminuir o interesse pelo futebol e se defende de alegações de que, com isso, seria a favor do erro. Considera que o erro de o árbitro faz parte do imponderável do futebol, bem como um erro de um atacante que perde uma chance clara de gol.

– Eu acho o seguinte, se o árbitro tiver a tecnologia, eu acho, acompanho há muitos anos, vai ter redução no interesse pelo futebol. Eu falo isso e dizem: “Ele é a favor do erro!”. Não, não sou a favor. Sou a favor de mais trabalho, mais treinamento, fica como é o jogador. Jogador não tem interesse de chutar a bola para fora, assim como arbitro não tem interesse em errar. Tudo que fica na falha humana, é jogo de erros, se todos atacantes fizessem gols era uma goleada em cima da outra, se todos goleiros defendessem os chutes era zero a zero. Habilidade ou falha, sempre existe.

Adicionais fazem juízes correrem menos

Uma notícia já anunciada pela CBF também foi abordada com os presidentes da Conaf e da Anaf: o fim dos dois assistentes extras posicionados na linha de fundo. Sérgio Corrêa citou, entre as justificativas, uma estatística mostrando que os árbitros principais passaram a correr menos com a inclusão dos assistentes. Marco Antônio Martins rebate afirmando que foi justamente essa a orientação passada pelos instrutores.

– Uma das razões (para o fim dos assistentes extras) é a parte física do árbitro. Como tem dois ali, ele meio que desacelerou. Temos um trabalho que está sendo feito com um professor em Santa Catarina, trabalho científico, ele está monitorando Série A e Série B. Ele comprovou que na Europa eles (árbitros) estão correndo 12km por jogo, no Brasil era 10km e caiu para 8km. Então o árbitro brasileiro, inclusive, ganhou um pouquinho de peso, porque não se exige muito fisicamente dele. Tem vantagens, que ele está mais descansado para tomar decisões, mas tem desvantagens, que ele meio que se acomoda. E as decisões que aquela pessoa toma, nem sempre ele segue, porque ele tem visão muito clara da situação de campo. É como aquele cozinheiro, quando dois mexem na panela ou falta sal ou sobra sal – analisa Corrêa.

Na visão do presidente da Anaf, os assistentes extras são válidos.

– Não foi árbitro que correu menos. É justamente a orientação dos instrutores que foi nessa linha: a de que deixasse uma parte do campo para os adicionais. E te pergunto: o último jogo do Palmeiras, o pênalti dado foi pelo adicional. Se o Palmeiras tivesse caído sem esse pênalti, já valia a pena ter o adicional? Se perguntar para o Sport, Chapecoense, que o adicional viu bola dentro do gol e fora do gol, esses clubes achariam que não era necessário? Acho que isso passa muito pela questão financeira. Sempre se quer economizar em cima do árbitro. É mais questão financeira do que técnica. Adicional é fundamental, é necessário, não temos tecnologia, um monte de câmera contra a gente, então quanto mais árbitros tiver em campo é melhor. Claro que vão ter erros, isso faz parte da arbitragem.

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Fonte: Globo Esporte

CBF muda o comando da arbitragem nacional e Ana Paula vira dirigente

ana-paulaO presidente da CBF, José Maria Marin, promoveu uma dança das cadeiras no comando da arbitragem brasileira. A presidência da Comissão voltou a ser de Sérgio Corrêa. O então detentor do cargo, Antônio Pereira da Silva, passou a ser diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol.

Com ele, assume Ana Paula Oliveira, ex-auxiliar, com o cargo de diretora-secretária da ENAF. Além de sair do comando da Comissão, Antônio Pereira da Silva virou secretário do órgão.

Será a segunda vez que Sérgio Corrêa dirigirá a arbitragem nacional. A passagem anterior dele foi encerrada em 2012, que então deu lugar a Aristeu Tavares e assumiu o então recém-criado departamento de arbitragem.

Em relação à Ana Paula, a ex-auxiliar será responsável por organizar a reciclagem dos apitadores de cada federação.

– Estou muito lisonjeada. Não esperava este convite dos presidentes Marin e do Marco Polo. Farei o melhor que posso. Eu farei a ponte entre a ENAF e cada federação. Estarei à disposição das federações para o que elas precisarem neste processo – disse ela ao site da CBF.

Fonte: Lancenet

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